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A Lei Geral dos Protestos de Estudantes

Quanto mais sensatas forem as leis e as mudanças propostas pelo governo, mais estudantes protestarão contra elas

Dada a recente onda de passeatas e invasões a escolas, temos material suficiente para formular um tratado – a Lei Geral dos Protestos de Estudantes. O enunciado é simples:

Os protestos estudantis são diretamente proporcionais à sensatez do tema em questão. Quanto mais sensatas forem as leis e as mudanças propostas pelo governo, mais estudantes protestarão contra elas.

Leitor, essa lei é pobre e simplória, mas tem uma capacidade riquíssima de explicar o noticiário brasileiro. Veja a reforma do Ensino Médio preparada por Dilma e proposta por Temer. Não há notícia melhor para os adolescentes. Eles agora poderão escolher ter menos aulas de química orgânica ou sociologia e mais aulas de inglês ou matemática.

Para os invasores das escolas, a reforma é de uma sensatez insuportável. “Química orgânica é essencial à cidadania”, devem dizer os invasores paranaenses quando não matam os colegas. “Como preparar a revolução se não sabemos o que é uma função nitrogenada?”

No Paraná e em outros estados, estudantes também protestam contra a PEC 241. Que é simplesmente a coisa mais sensata que houve nesta década.

Qualquer pessoa que não seja um completo analfabeto em economia, qualquer um que não seja adepto de uma seita obscurantista, enfim, qualquer pessoa que entenda de política um pouco mais que o Gregorio Duvivier sabe que o maior risco dos governos é aloprar nos gastos. Políticos gostam de garantir a alegria do povo do curto prazo e empurrar a crise para os próximos mandatos. Por isso uns trinta países civilizados criaram leis como a PEC 241, entre eles Holanda, Bélgica e Austrália. Mas alguns estudantes, enojados com a coerência da PEC, correram apavorados protestar contra ela na Paulista e nas escolas.

Há exemplos para todo lado. No ano passado, Alckmin tentou remanejar vagas nas escolas estaduais, seguindo uma tendência de todo lugar em que o número de alunos, por causa da menor fecundidade, está caindo. Os estudantes viram ali o ideal da revolução, um motivo para levar bomba da polícia e escapar da monotonia deprê dos tempos de paz.

Voltem duas décadas e a Lei Geral dos Protestos de Estudantes continua em pé. Falo por experiência própria. Lá por 1997, eu participava do grêmio do CEFET-PR, onde estudava mecânica, e o ministro Paulo Renato decidiu mexer no currículo das escolas técnicas.

Muita gente ocupava uma vaga mais cara do ensino técnico para depois virar filósofo, gerente de banco ou jornalista metido a historiador. Por isso o ministério decidiu separar o ensino tradicional do técnico. Os três primeiros anos seriam para Ensino Médio regular e o quarto ano concentraria o ensino profissionalizante. Era uma ideia sensata. Era uma ideia que fazia todo sentido. Bastava somar dois mais dois para concordar com ela. Justamente por isso protestávamos.

Mas é verdade que, em certas condições de temperatura e pressão, a Lei dos Protestos dos Estudantes não funciona. Se o governo que propõe a medida está alinhado aos sindicatos de professores, a reação não se forma, e os protestos não aparecem. Nesse caso, não há sensatez ou maluquice capaz de revoltar os estudantes conduzidos pela esquerda.

@lnarloch

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  1. Comentado por:

    Adriano

    Leandro, protestar por protestar eu até entendo pela efervescência da juventude. Mas precisamos ter Marcos, limites para conter determinados comportamentos. Essa esculhambação que está agora, alunos sem aula, vai ter Enen ou não vai, não existe.

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  2. Comentado por:

    T E O D O R O

    Uma pergunta: o que leva um “estudante” desses -além da arrogância e da falta de maturidade, ter como verdade absoluta suas reivindicações? Pobres inocentes úteis!!!

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  3. Comentado por:

    Carlus

    Com certeza os petistas vermelhos apoiam as invasões das escolas em represália ao novo governo tentando dar uma conotação de protesto de estudantes, mas a pergunta é: se a educação está na escala mais baixa das ultimas décadas, os estudantes querem ficar nela?

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  4. Comentado por:

    William Mendes

    Texto muito sensato, como, pelo menos, 90% dos textos de Narloch.

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  5. Comentado por:

    Tiago

    Não, a lei geral dos protestos does estudantes não é esta, eles protestam por um governo mais justo e democrático, esta PEC é inviável pois congela gastos públicos por 20 anos em áreas primordiais como saúde, segurança e educação, algo enviável, já que em um dado momento vai ser necessário haver mais verbas que a disponível quando houver o congelamento de gastos.

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  6. Comentado por:

    Tiago

    Não, a lei geral dos protestos dos estudantes não é esta.

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  7. Comentado por:

    Tiago

    Para os que acham que os estudantes não sabem do que estão protestando, sabem sim, os projetos da medida provisória do ensino médio e a PEC 241 estão disponíveis na internet, qual quer pessoa pode ler, um adolescente, tem sim capacidade para entender o conteúdo deles e tem e devem ter participação ativa na sociedade, quer o governo de direita ou de esquerda goste ou não, durante o empiachiment ninguém dizia que os jovens que protestavam eram pagos pelo Temer, eu tenho certesa que muitos dos jovens que protestaram contra o governo Dilma estão protestando agora, o que prova que é um protesto contra projetos e não contra a pessoa, ou partido e ideologia de um governante atual.

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  8. Comentado por:

    Otávio Kim Hoeser

    Muitos – a maior parte, talvez – destes alunos que estão invadindo as escolas em protesto, nem ao menos sabem oque significa a sigla PEC. Eu vi vídeos, eu li noticias, e fiquei bem chocado. Eles não sabem porque estão ali. Eles simplesmente estão. Existem poucos alunos maduros e inteligentes(porém doutrinados) que sabem responder e se posicionar a respeito do que estão fazendo.

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  9. Comentado por:

    Tiago

    Significado de doutrinado no dicionário: “que recebeu ensinamentos ou instrução; instruído.
    2.
    obsl. que se domesticou; amestrado, ensinado.”, logo você tem dois significados para o termo doutrinado, no primeiro deles ser doutrinado é algo bom, que todos nós passamos, já que somos ensinados por membros da família, professores, amigos, em fim várias pessoas ao longo da vida, o segundo termo é observação que se faz para ensinado, adestrado, domesticado, no caso dos estudantes eles só podem terem sido doutrinados de acordo com o termo 1, já que pelo termo dois a doutrinação produziria poucos efeitos porquê os doutrinados nestas linhas não tem resistência para suportar climas de ocupações por longos dias nas condições que estes alunos suportam, já que se cansariam por não estarem lutado por ideais, mas só quem luta por ideais resisten como estes estudantes.

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  10. Comentado por:

    Luiz Claudio

    Concordo que mudanças são necessárias no sistema de ensino do país. E que reduzir a carga de disciplinas é algo razoável. O problema é que os governantes (PMDB, PSDB, PT, DEM, PC do B) utilizam em geral de um argumento válido para fazer uma prática com finalidade de apenas gastar menos nas escolas. Por exemplo o caso da aprovação automática que já completa duas décadas na rede estadual paulista. Surgiu de um pleito justificável, diminuir os altos índices de retenção, mas a prática foi aprovar por decreto sem buscar recuperar/reforçar/incentivar os estudantes com dificuldades. Esta mudança no ensino médio não tem como objetivo melhorar o ensino e sim facilitar para o governo contratar professores, por meio do tal “notório saber”, sem tornar a carreira docente atrativa seja por meio de salários melhores ou, especialmente, por melhores condições de trabalho.

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