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Uma pergunta espera há 11 anos a resposta de Requião: quem come mamona é maluco ou fica maluco quem come mamona?

Concebido pelo senador Roberto Requião e sancionado nesta quinta-feira pela presidente Dilma Rousseff, o projeto que regulamenta o direito de resposta tem a carranca do pai e o jeitão destrambelhado da mãe. Em vez de simplesmente garantir a correção de notícias equivocadas, o desmentido de acusações sem fundamento e a punição de jornalistas que incorrem […]

Concebido pelo senador Roberto Requião e sancionado nesta quinta-feira pela presidente Dilma Rousseff, o projeto que regulamenta o direito de resposta tem a carranca do pai e o jeitão destrambelhado da mãe. Em vez de simplesmente garantir a correção de notícias equivocadas, o desmentido de acusações sem fundamento e a punição de jornalistas que incorrem em delitos arrolados no Código Penal, o texto que virou lei tem tudo para transformar-se num instrumento de intimidação da imprensa independente.

Como informou a coluna de Ricardo Setti em 14 de março de 2012, o senador do PMDB paranaense sempre sonhou com projetos que amordaçam a imprensa. Nesta semana, ele conseguiu ao menos restringir a liberdade de expressão com as regras sobre o direito de resposta, que poderá ser invocado se o conteúdo do material publicado atentar, “ainda que por equívoco de informação, contra a honra, a intimidade, a reputação, o conceito, o nome, a marca ou a imagem de pessoa física ou jurídica identificada ou passível de identificação”.

O palavrório confirma que o filhote de Requião nasceu para confundir, não para explicar. E a subjetividade dos conceitos amplia a zona de sombra em que qualquer interpretação é permitida. Tome-se como exemplo o vídeo que eternizou o papelão protagonizado pelo então governador do Paraná em fevereiro de 2006, quando apareceu no Planalto para outro beija-mão em louvor do presidente Lula. O anfitrião estava eufórico com o desempenho do Brasil no mundo maravilhoso dos biocombustíveis. O visitante estava eufórico com o tratamento amistoso que lhe dispensava o ex-inimigo.

Confira a cena inverossímil extraída do Jornal da Globo. Lula estende a Requião um vidro cujo conteúdo tem coloração suspeita. “É mamona”, previne. Requião enfia a mão no vidro, captura um punhado de sementes, enfia a coisa na boca e começa a mastigar. “Isso é mamona, pô!”, espanta-se o presidente, que ri do gourmet de grotão. “É bom”, balbucia o governador desgovernado. “Você sabe que isso tem uma toxina que não pode comer?”, alerta Lula de novo. Só então a ficha cai: assustado, Requião dá as costas para a câmera e cospe no chão o biocombustível do futuro.

Mais revelador que uma biografia de 900 páginas, o vídeo induz a quatro conclusões nada lisonjeiras. Quem assiste à peça histórica só pode achar que o senador é:

a. sabujo
b. otário
c. doidão
d. idiota
e. tudo isso e mais um pouco.

Seja qual for a opção, o vídeo atenta contra a marca, o nome e a imagem de Requião. Com a entrada em vigor da lei que pariu, ele pode reivindicar espaços em todos os meios de comunicação que divulgarem a chanchada em miniatura. É o caso desta coluna. Para poupá-lo de recorrer à Justiça, o censor aprendiz está convidado a enviar sua versão do episódio. Os leitores aguardam ansiosamente a resposta à pergunta que não quer calar: quem come mamona sempre foi maluco ou ficou maluco por comer mamona?

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  1. Comentado por:

    Geraldo Pereira

    Impressiona-me o paranaense votar nesse senhor. O curitibano (residi em Curitiba na década de 70 por mais de ano e viajei por diversas cidades lindas, como: Ponta Grossa, Cascavel, Guarapuava, Maringá, Londrina, Foz do Iguassu,Telêmaco Borba, etc.) é um povo acolhedor e simpático. O estado é dinâmico e muito desenvolvido e não merece um político da laia de Requião.

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  2. Comentado por:

    Enio Luiz Perin

    Fica maluco quem come pela mão dos outros.
    O Requião tem uma grande qualidade frente a muitos falsos moralistas..tem muito do velho Brizola e não tem dobradiça na espinha..nasceu livre para atuar na política defendendo o que acredita..ele e o Pedro Simon são o saldo do velho MDB de grandes atuações democráticas..

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  3. Comentado por:

    Henrique Aires

    Que fim levou àquela história do Porto de Paranaguá, em que esse cidadão e o irmão dele estavam sendo acusados de enriquecimento, ou, favorecimento, ou levantamento de vantagens????

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  4. Comentado por:

    Amauri

    Xiiiii.
    Esse Requião quando nasceu o médico confundiu a b*** com a cara e foi logo metendo o tapa no lugar errado.
    Nesse caso, tanto faz se ficou doido antes ou depois de comer mamona.

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  5. Comentado por:

    Flavio

    Melhor governador sa história do Paraná, comete erros como todos nós mas é integro.

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  6. Comentado por:

    Jorge Roriz

    Já existe o código civil que pune calúnia, injúria e difamação. A lei aprovada é pior do que no tempo da ditadura. A da ditadura, o solicitante só possui direito de resposta se comprodamente foi escrito algo fora da verdade. A atual, (feita e aprovada por petralhas e inimigos da democracia) basta que o citado se sinta “Ofendido”. Algo estremamente subjetivo.
    Estamos caminhando a passos largos para uma ditadura “Bolivariana”

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  7. Comentado por:

    Breaking Bad

    Flavio 18/11/2015 às 23:33 ” Melhor governador sa história do Paraná, comete erros como todos nós mas é integro.
    Amauri”
    Enio Luiz Perin 17/11/2015 às 14:42 “Fica maluco quem come pela mão dos outros. O Requião tem uma grande qualidade frente a muitos falsos moralistas..tem muito do velho Brizola e não tem dobradiça na espinha..nasceu livre para atuar na política defendendo o que acredita..ele e o Pedro Simon são o saldo do velho MDB de grandes atuações democráticas.”
    Hoje, 04/12/2016, depois dos conchavos com o PT, da trama urdida com o Renan para intimidar o MP e juízes, o “que não tem dobradiça na espinha” , comedor de mamona e pilantra Requião está mais do que desmascarado. Gostaria de ver o que comentariam hoje “Enio Luiz Perin 17/11/2015 às 14:42″ e “Flavio 18/11/2015 às 23:33″, eu disse VER, porque já tenho CONVICÇÃO do que pensam esses dois petralhas: para eles, Sergio Moro é o errado e Requião, o certo.

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