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Romero Jucá, o fazendeiro do ar escondido no Senado, escapou da cadeia outra vez

Transferido do Senado para a Esplanada dos Ministérios no começo de 2005, Romero Jucá caprichou na primeira aparição como ministro da Previdência do governo Lula. Horas antes, apresentara ao presidente o conjunto de medidas concebidas para fechar de vez o rombo da Previdência Social. O chefe gostou do que ouviu e cumprimentou Jucá por tamanha […]

Jucá está onde sempre esteve: a favor de quem governa

Jucá está onde sempre esteve: a favor do governo

Transferido do Senado para a Esplanada dos Ministérios no começo de 2005, Romero Jucá caprichou na primeira aparição como ministro da Previdência do governo Lula. Horas antes, apresentara ao presidente o conjunto de medidas concebidas para fechar de vez o rombo da Previdência Social. O chefe gostou do que ouviu e cumprimentou Jucá por tamanha rapidez no gatilho. Entusiasmado, o benfeitor dos aposentados foi contar vantagens para a plateia de jornalistas.

“Em dois anos, o déficit já sofrerá uma redução de 40%”, começou. “Vamos fechar o cerco a todos que têm contas a ajustar”,  recitou em seguida o pernambucano do Recife promovido pelo eleitorado a filho adotivo de Roraima. “Mas desta vez a ofensiva começará pelos grandes devedores”. Excelente idéia, teriam aplaudido os brasileiros rasil se não soubesse que Romero Jucá Filho é, além de ministro, o sócio mais antigo do clube dos devedores do Banco da Amazônia, o Basa.

Quem deve tem de pagar ou provar que a cobrança é improcedente. Antes disso, nenhum devedor pode assumir o papel de cobrador, certo? Alheio a essas obviedades, Jucá convocou uma segunda entrevista coletiva para comemorar a fantasiosa redução de R$1 bilhão no rombo da Previdência. A festa acabou antes de começar: os jornalistas estavam muito mais interessados nas zonas de sombras que envolviam, e continuam envolvendo, um empréstimo concedido pelo Basa, em 1996, a uma empresa chamada Frangonorte.

Adquirida por Jucá em parceria com o amigo Getúlio Cruz, ex-governador de Roraima, a Frangonorte  já estava em situação falimentar quando conseguiu que a direção do Basa a presenteasse com R$ 3,152 milhões (mais de R$ 10 milhões, em valores atuais). Segundo o banco, a transação só se consumou porque o senador Jucá ofereceu garantias consideradas satisfatórias. Entre elas estavam sete fazendas pertencentes ao candidato a avicultor.

Apenas a assinatura no documento pertence a Jucá, descobriu-se logo. Os latifúndios na selva só existiam na imaginação do fazendeiro do ar. Assustado com as dimensões da tunga, o Basa recorreu à Justiça para abrandar o prejuízo com os bens da Frangonorte. “Não havia um único frango vivo”, espantou-se um dos fiscais. Jucá já esvaziara a sala de diretor para salvar alguns pertences e a própria pele. Em 2005, convidado a explicar-se durante a entrevista, o enganador repreendeu o enganado: o banco deveria ter conferido com mais cuidado o que estava no papel, ensinou.

Jucá só ficou quatro meses no cargo a que chegou por indicação do presidente do Senado, Renan Calheiros. Lula gostou da folha corrida do amigo do amigo. Nascido em 1954, Jucá começou a servir a pátria em 1986, quando se tornou presidente da FUNAI no governo José Sarney. Promovido dois anos mais tarde a governador de Roraima, ajudou o território a transformar-se o Estado que o ajudou a transformar-se em cacique.

Entendeu-se bem com o presidente Fernando Collor, com o presidente Itamar Franco e com o presidente Fernando Henrique. Em 1994, no segundo ano como senador, tornou-se líder da bancada do governo FHC. Reeleito em 2002, hoje é líder da bancada do governo. Mudaram os governantes, Jucá não mudou: ele sempre está a favor de quem governa. E se entende muito bem com Lula.

“Nunca pedi nada, só a modernização do aeroporto de Roraima”, deu de fantasiar Jucá neste maio, amuado com a degola na Infraero que deixou desempregados um irmão e uma cunhada. Deve ter esquecido o que pediu (e nunca pagou) em 1996. As ações judiciais dormiram até julho do ano passado, quando o procurador-geral da República, Antônio Fernando de Souza, denunciou Jucá ao Supremo Tribunal Federal por crimes contra o sistema financeiro.

O processo nem começou. Em 3 de dezembro, por solicitação do Ministério Público Federal, o ministro Cezar Peluso arquivou o “inquérito (Inq. 2.221) contra o Senador Romero Jucá (PMDB-RR) acusado de fraude envolvendo a empresa Frangonorte, em razão da prescrição do crime”. Livre da ameaça de saldar a conta do calote e dormir na cadeia por 2 a 6 anos, Jucá festejou o Natal e o reveillon em paz. O Banco da Amazônia não verá a cor do dinheiro. Simples assim. É o Brasil.

Comentários
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  1. Comentado por:

    JONAS

    é muito ladrão, já pensou se o brasil fosse do tamanho da fraça. não caberia tanto ladrões.

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  2. Comentado por:

    Marcos

    Esse senhor nunca me enganou…..

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  3. Comentado por:

    Malu

    O tal de Jucá é mesmo um sortudo. Me pergunto até quando? Já cansei das maracutaias preparadas por ele.

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  4. Comentado por:

    Creso

    O Brasil não faz filme de faroeste porque só tem artista. O Romero Jucá entrou na livraria,foi na seção de livros de auto-ajuda e logo encontrou o livro “Resolva todos os seus problemas”. Como ainda estava em dúvida,procurou o balconista…-Por favor moço,este livro resolve mesmo todos os meus problemas? -Todos eu acho que não. Digamos que ele resolve metade dos seus problemas! -Bom,se é assim,eu vou levar dois!

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  5. Comentado por:

    Richarlisson

    Augusto:
    Você como bom brasileiro e honesto como a maioria, deveria uma hora entrevistar no RODA-VIVA, jucá e renan ao mesmo tempo: E PERGUNTAR-LHES: DE ONDE E COMO CONSEGUIRAM COMPRAR TANTAS FAZENDAS, MANSÕES, CARRÕES, CONTAS EM PARAÍSOS FISCAIS E POR AÍ VAI, porém, SENDO FUNCIONÁRIOS PÚBLICOS?? DE ONDE VEIO O DINHEIRO PARA COMPRAR TAIS BENS??

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  6. Comentado por:

    douglas

    Caro, de acordo com as normas de publicação de comentários, não são aprovados textos escritos apenas em maiúsculas. Mais informações, acesse: https://veja.abril.com.br/blog/augusto-nunes/feira-livre/vejam-a-atualizacao-das-regras-da-coluna-para-a-liberacao-de-comentarios/. Um abraço, Júlia Rodrigues.

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  7. Comentado por:

    Bruno Sampaio

    Meu sonho é um dia ter um filho corrupto! Aí sim, vai dar orgulho a toda a família!

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