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Augusto Nunes Por Coluna Com palavras e imagens, esta página tenta apressar a chegada do futuro que o Brasil espera deitado em berço esplêndido. E lembrar aos sem-memória o que não pode ser esquecido. Este conteúdo é exclusivo para assinantes.

Reynaldo Rocha: ‘O pastor, a igreja, o psicopata e a escolha’

REYNALDO ROCHA De antemão, é preciso esclarecer que não se trata de um ataque a religiões. Sou movido por sentimentos humanos: indignação, revolta e desejo de justiça. Uma mulher de 30 anos – brilhante, íntegra, honesta – está sendo destroçada em redes sociais. Isso, infelizmente, não é incomum.

Por Augusto Nunes - Atualizado em 11 fev 2017, 11h13 - Publicado em 3 jun 2015, 03h46

REYNALDO ROCHA

De antemão, é preciso esclarecer que não se trata de um ataque a religiões. Sou movido por sentimentos humanos: indignação, revolta e desejo de justiça. Uma mulher de 30 anos – brilhante, íntegra, honesta – está sendo destroçada em redes sociais. Isso, infelizmente, não é incomum.

Absurdo é constatar que esse ato covarte é apoiado pela Igreja da Lagoinha, ramificação evangélica baseada em Belo Horizonte e liderada pelo pastor Márcio Valadão. O alvo é Paula, mais uma vítima do psicopata Guilherme de Pádua, assassino confesso de Daniela Perez. Por triste coincidência, tem o mesmo nome da coautora do homicídio célebre.

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Para sorte do criminoso, o assassinato foi cometido no Brasil. Se fosse nos EUA, por exemplo, Guilherme de Pádua não escaparia da prisão perpetua ou da pena de morte. No Brasil, está livre, sem tratamento psiquiátrico.

Convencida de que poderia resgatar um ser sem cura, movida por razões que não me cabe julgar, Paula casou-se com ele. Sofreu, e muito. E enfim resolveu seguir seu caminho sem viver com o inimigo.

Até aí, nada que não possa ser explicado pela condição humana. As diferenças angustiantes começam na escolha feita pela Igreja frequentada por Paula e Guilherme. O pastor optou pelo algoz e segregou a vítima.

Consumada a opção, Paula passou a ser humilhada, difamada em redes sociais e, com a anuência do líder Valadão, foi empurrada para o inferno. Para preservar a imagem do “resgatado”, o pastor propôs a Paula que reatasse a união com o assassino. E ofereceu ao casal um “período de férias” patrocinado pela Igreja. Em nenhum momento Valadão s animou a ouvir o que a vítima tinha a dizer.

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Internada num hospital, Paula é hoje uma mulher profundamente deprimida. Ela entende que cometeu erros. Mas não compreende a ofensiva concebida para destruir-lhe a fé, os valores morais e a vida. Ela dedicou 10 anos de vida a uma comunidade que retribuiu com a expulsão.

O que une um psicopata a um pastor? Até que ponto tal ligação é condicionada pela busca de poder e dinheiro?

Prefiro ateus a falsos profetas, E sempre vou preferir seres humanos decentes a psicopatas.

Força, Paula!

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