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Augusto Nunes Por Coluna Com palavras e imagens, esta página tenta apressar a chegada do futuro que o Brasil espera deitado em berço esplêndido. E lembrar aos sem-memória o que não pode ser esquecido. Este conteúdo é exclusivo para assinantes.

Qual dessas feras merece o título de Homem sem Visão de 2016?

O vitorioso da disputa, que se encerrará no dia 23, será premiado com uma vaga perpétua na Galeria dos Grandes Campeões

Por Augusto Nunes Atualizado em 25 dez 2016, 19h48 - Publicado em 23 dez 2016, 13h00
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Começou na enquete a votação que elegerá o Homem sem Visão de 2016. O ganhador da disputa, que se encerrará no dia 26, será premiado com uma vaga perpétua na Galeria dos Grandes Campeões, que exibe fotografias de frente e de perfil de Lula (considerado hors concours já no lançamento do HSV) e dos sete conquistadores do troféu reservado ao pior entre os piores do ano.

Figuram na lista dos campeoníssimos Dilma Rousseff (HSV de 2009), Franklin Martins (2010), Márcio Thomaz Bastos (2011), Ricardo Lewandowski (2012), Alexandre Padilha (2013), José Eduardo Cardozo (2014) e Rodrigo Janot (2015). Qual dos finalistas de 2016 merece fazer companhia a essas feras que já garantiram um lugar da história nacional da infâmia?

Confira a ficha resumida dos candidatos e escolha o pior entre os piores:

 

LUÍS ROBERTO BARROSO

janeiro

O ministro do Supremo Tribunal Federal entrou na jaula dos candidatos graças à cláusula do regulamento do HSV que permite a participação na disputa de janeiro de quem protagonizou lambanças de bom tamanho em dezembro, mês reservado à eleição do HSV do Ano. Luís Roberto Barroso impressionou os leitores-eleitores com o histórico desempenho na sessão que revogou o processo de impeachment aprovado pelo Legislativo. Na votação, o ministro encabeçou o grupo de colegas do STF que decidiu que caberia à Câmara autorizar a abertura do processo de impeachment, mas ponderou que Dilma Rousseff só seria afastada do cargo depois do endosso do Senado.

 

RUI FALCÃO

fevereiro

No começo de fevereiro, o presidente do PT enxergou na maior das festas populares brasileiras uma peça de propaganda da seita-bando. “A chegada do Carnaval abre uma janela para combater o clima de pessimismo continuamente ampliado pela oposição”, viajou num trecho do samba do petralha doido. “A chegada da folia de Momo marca também uma nova fase da comunicação do nossa partido”. No fim do mês, Rui Falcão deixou de enxergar a participação de João Santana na campanha de Dilma Rousseff. “O PT não tem marqueteiro”, delirou ao saber da prisão do marqueteiro do PT. “Contrata as pessoas para fazerem programas. Isso não diz nada em relação ao PT”.

 

TEORI ZAVASCKI

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Em março, Teori Zavascki agiu como uma espécie de David Luiz de toga. Deixou solto quem precisava de marcação cerrada, foi para o ataque quando deveria reforçar a defesa, cabeceou para trás na hora de rebater para a frente, entrou em divididas com companheiros de zaga e esqueceu o adversário. Compensou a entrada tardia no julgamento do Mensalão mandando condenados mais cedo para casa. Relator dos processos do Petrolão no STF, tirou da cadeia delinquentes logo devolvidos ao xilindró por excesso de provas. Foi Teori, por exemplo, quem decidiu guardar no STF os áudios que registram os telefonemas grampeados pela Polícia Federal em que Dilma avisa a Lula que está “mandando o ‘Bessias’ junto com o papel”.

 

JOSÉ DE ABREU

abril

Melhor aluno do curso “Bravura & Refinamento”, ministrado pelo professor Jean Wyllys, o eterno coadjuvante José de Abreu entrou na disputa depois de cuspir num casal que o criticara enquanto jantava num restaurante japonês em São Paulo. Pelo twitter, vangloriou-se: “Acabei de ser ofendido num restaurante paulista. Cuspi na cara do coxinha e da mulher dele! Não reagiu! Covarde. Advogado carioca…” A cena gravada por outro cliente desmoraliza a versão. Depois da cusparada, Zé de Abreu transformou garçons em escudos para escapar do contra-ataque do agredido. Ele dedicou o papelão a Jean Wyllys.

 

GLEISI HOFFMANN

maio

A entrada da senadora do PT paranaense na briga de foice foi exigida pelos espectadores que acompanharam seu desempenho nas sessões que antecederam o afastamento da presidente (além de chefe, mentora e amiga) Dilma Rousseff. Sempre apoiada pelo marido Paulo Bernardo, que foi seu companheiro de ministério e lhe faz companhia no bando de alvos da Lava Jato, Gleisi enxergou no impeachment um golpe de Estado e viu no juiz Sérgio Moro um inimigo da pátria. Descobriu que Dilma foi despejada “pelo que fez de bom para o povo”. Mas ainda hoje se recusa a revelar o que houve de bom.

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LINDBERGH FARIAS

junho

Senador do PT do Rio de Janeiro, Lindbergh Farias confirmou que abandonou a sala de aula desde os tempos do colégio para dedicar-se a não fazer nada no movimento estudantil, depois na presidência da UNE e finalmente nas manifestações dos caras pintadas que exigiam o impeachment de Fernando Collor. “O neoliberalismo foi aplicado… o primeiro país onde foi aplicado foi na China e foi no governo de Pinochet”, estraçalhou a história, a geografia e a lógica durante uma sessão da comissão especial do impeachment. No fim de junho, subiu à tribuna para revelar que a Polícia Federal prendeu o companheiro Paulo Bernardo para punir a colega Gleisi Hoffmann, mulher do engaiolado.

 

MARILENA CHAUÍ

julho

Famosa pela falta de visão desde a primeira aula na USP, a professora de Filosofia piorou extraordinariamente depois que começou a ter visões. Para garantir uma largada inesquecível na disputa do troféu mensal, gravou um vídeo em que via coisas de matar de inveja até médiuns internacionais. Viu em Sérgio Moro, por exemplo, um agente treinado pelo FBI para, disfarçado de juiz, roubar o pré-sal, levar a Petrobras à falência, fechar o PT, mandar Lula para Curitiba e demitir Dilma Rousseff. Numa das miragens anteriores, Marilena já havia revelado que “quando Lula fala, o mundo se ilumina”. Em outra, mostrou que todo integrante da classe média é um canalha, com exceção da própria Marilena, seus parentes e todos os companheiros do PT.

 

KÁTIA ABREU

agosto

A vitória na disputa de agosto ajudou Kátia Abreu a ser oficialmente agraciada com o título de Melhor Amiga de Dilma Rousseff. Senadora e política de carreira, ampliou o eleitorado na disputa do HSV depois de escrever um artigo no qual afirmava que a corrupção envolvia todos os senadores e todos os políticos de carreira. Latifundiária do Tocantins, tornou-se porta-voz do Movimento dos Sem Terra e estreitou os laços de amizade com João Pedro Stédile. Durante a discurseira em que defendeu o fatiamento do processo de impeachment, não ficou corada ao explicar na tribuna do Senado que Dilma não merecia perder os direitos políticos “porque com certeza seria convidada a dar aulas em universidades”.

 

RICARDO LEWANDOWSKI

setembro2

Depois de conseguir uma liminar no STF que o autorizou a concorrer ao troféu mensal, Ricardo Lewandowski teve a candidatura impugnada nesta manhã. Por ter sido eleito HSV de 2012, Lewandowski ganhou um capítulo na história nacional da infâmia, mas perdeu o direito de disputar outra finalíssima. O ministro tentou burlar a norma em setembro, quando assumiu a defesa de Dilma Rousseff no julgamento do impeachment e, por seis votos a cinco, conseguiu o aval do Supremo. Há poucas horas, Marco Aurélio Melo informou aos demais ministros que mudaria seu voto por recusar-se a validar o que qualificou de “uma afronta às cláusulas pétreas que desde 2009 garantem a lisura e o brilho do Homem sem Visão”.

 

RENAN CALHEIROS

outubro

Ainda em liberdade, Renan Calheiros entrou na briga de foice graças à crise de nervos desencadeada pela suspeita de que um camburão estava virando a esquina, pronto para recomeçar a operação de busca e apreensão que culminara com a prisão de quatro policiais legislativos acusados de remover escutas instaladas pela PF com autorização judicial. Em campanha pelo HSV do Ano, o presidente do Senado recusou-se a cumprir uma liminar do ministro Marco Aurélio Mello obrigando-o a deixar o cargo depois de ter sido declarado réu em um dos 12 processos que correm contra ele no Supremo.

 

RODRIGO MAIA

novembro

Presidente da Câmara, Rodrigo Maia entrou na disputa de novembro amparado em dois trunfos. Primeiro, não viu nenhum problema em incluir no projeto das 10 medidas contra a corrupção uma emenda que anistiava o uso do caixa 2 até aquele momento. Em seguida, não enxergou nada de mais na batalha travada por Geddel Vieira Lima contra o patrimônio histórico. Na madrugada de 30 de novembro, quando o país chorava a tragédia da Chapecoense, colocou em votação na Casa dos Horrores um pacote de medidas de apoio à corrupção.

Ao teclado, amigos! Lute pelo triunfo do seu candidato! O campeão será anunciado dia 26! E que vença o pior entre os piores de 2016!

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