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Onyx Lorenzoni no Roda Viva: O foro privilegiado é uma excrescência que precisa ser eliminada

O relator do projeto das 10 medidas contra a corrupção comentou, entre outros assuntos, as manobras que procuram obstruir os avanços da Lava Jato

O convidado do Roda Viva desta segunda-feira foi o deputado federal Onyx Lorenzoni, relator da Comissão Especial da Câmara que analisa medidas de combate à corrupção, entre as quais as dez propostas pelo Ministério Público. Formado em Medicina Veterinária pela Universidade Federal de Santa Maria, o agora presidente do DEM do Rio Grande do Sul nasceu em Porto Alegre há 62 anos. Onyx foi deputado estadual entre 1995 e 2002, quando se elegeu deputado federal. Tornou-se nacionalmente conhecido em 2005, graças à combatividade demonstrada nas sessões da CPMI dos Correios, que devassou o escândalo do Mensalão, e atualmente exerce o quarto mandato consecutivo no Congresso. Confira alguns trechos da entrevista:

“Existe no país uma sensação de absoluta impunidade. Espero que o Congresso use este momento para fazer uma conciliação com as ruas. Os parlamentares precisam ter a capacidade e a humildade de ouvir a voz das ruas”.

“Com a legislação de hoje, quando um corrupto ou um corruptor no Brasil põe de um lado da balança o quanto ele vai ganhar e, do outro, o risco de ser pego, ele tem muito mais a ganhar do que a perder. A gente precisa virar essa balança”.

“Qual é a diferença do Mensalão para o Petrolão? Duas coisas: a Lei de Lavagem de Dinheiro e a colaboração premiada. Se a colaboração premiada existisse na época do Mensalão, o Lula estaria na cadeia há muito tempo”.

“De 2013 para cá, há uma nova cidadania no Brasil, que resolveu tomar o país na mão. Ela não tem partido político, não tem um posicionamento ideológico muito claro. Ela quer arrumar o Brasil. O impeachment só aconteceu porque essa cidadania foi para as ruas”.

“A aprovação das medidas contra a corrupção vai tornar muito mais difícil roubar dinheiro público, o que é muito importante num país como o nosso”.

“Eu me debrucei sobre o projeto sobre abuso de autoridade do Renan Calheiros e achei muito ruim. A biografia do presidente Renan explica o porquê. Ele é uma pessoa que vive 24 horas por dia pensando em como atacar quem está tentando passar o Brasil a limpo”.

“Foro privilegiado é uma excrescência”.

“A fragilidade da legislação fez com que a Itália se tornasse um país ainda mais corrupto depois da Operação Mãos Limpas. O grande mérito dos jovens procuradores da Lava Jato é que eles perceberam que, se não houvesse um instrumento para que o Brasil caminhasse de forma diferente, o país repetiria isso”.

“Acredito que a maioria dos parlamentares brasileiros seja comprometida com o país e quer que o país dê certo. Deseja que seus filhos possam viver num país mais seguro, que os serviços públicos possam servir às pessoas e não se servir delas”.

“Criamos um novo artigo que criminaliza não só quem recebe, mas também quem doa para o caixa dois. Se não endurecermos as leis, a cultura da corrupção não mudará”.

“O Renan Calheiros e o Michel Temer representam um país muito velho. Não espero do Temer nada além do que ele pode dar, que é garantir uma certa estabilidade e levar o barco até 2018, sem solavancos, para entregar o país a quem for eleito”.

“A aprovação dessas medidas é uma oportunidade que o Congresso tem de dar as mãos à sociedade. É uma chance de mudar a vida das pessoas. Acho que não teremos mais essa oportunidade pelos próximos 30 anos”.

A bancada de entrevistadores reuniu os jornalistas André Guilherme Vieira (Valor), Thais Bilenky (Folha), José Alberto Bombig (Estadão) e Murilo Ramos (Época) e o advogado Pierpaolo Cruz Bottini, professor de Direito Penal da USP. Com desenhos em tempo real do cartunista Paulo Caruso, o programa foi transmitido ao vivo pela TV Cultura.

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  1. Comentado por:

    VIGILANTE DA DEMOCRACIA

    Prezado Augusto
    Você não vai publicar o vídeo?
    SDS
    Caro leitor, assim que estiver disponível, publicaremos o programa na íntegra.
    Abraços. Victor Irajá.

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  2. Comentado por:

    José Antonio

    Essa conversa sobre anistia do caixa 2 é uma manobra dos políticos que não querem aprovar o pacote das 10 medidas. Existe legislação para punir o caixa 2 e o TSE informa que existem centenas de casos de caixa 2 identificados na ultima eleição para prefeitos, que serão investigados e os responsáveis punidos.
    Portanto vamos parar com essa tal anistia do caixa 2 pois está sendo usado como motivo para não aprovar o pacote de medidas contra a corrupção.

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  3. Comentado por:

    Antonio Carlos Ferreira

    Em 2004 fiquei muito bem impressionado, quando ele participou da CPI da Terra, como integrante. As perguntas naquela ocasião foram bastante inteligentes, embora não tenha dado em nada aquela CPI. Em todo o caso ele e um outro deputado gaúcho se salvaram naquele marasmo juntamente com o Sen. Alvaro Dias. Foi bastante engraçado e cômico na sessão que fui ouvido, como convidado, para esclarecer os desmandos dos ‘Sem terra’, e aquela troupe com bandeiras, o Suplicy junto, um deputado do PT cognominado Zé Grandão que era o chefe do bando. Os bobos acharam que iria tremer, ao contrário engoli a todos com a mais absoluta tranquilidade e aí percebi que o País estava sem saída em mãos de uma quadrilha. Desde então passei a combater o PT com aquilo que podia simplesmente escrevi, escrevi, escrevi…. Em todo o caso aquela data foi para mim importante e o deputado trouxe recordações positivas, pois ele desde então sempre foi combativo na defesa da democracia. Bom programa como sempre caro amigo.
    Abração, caro Antonio Carlos.

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  4. Comentado por:

    José Antonio

    Conforme citado no roda viva,espero que o deputado Onyx faça a reforma da lei 1079 que trata dos crimes de responsabilidade.

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  5. Comentado por:

    Luiz Fernando

    Excelente programa Augusto.Como sempre.O deputado foi muito bem.
    Abração, Luiz Fernando.

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  6. Comentado por:

    Ridendo castigat mores

    A coisa mais importante que ele falou foi em relação ao impeachment da Dilma,que só aconteceu porque a sociedade composta de pessoas de bem,saiu às ruas e exigiu seu direito.
    Também não podemos parar de fiscalizar os três poderes,com a ajuda fundamental do quarto poder,precisamos ficar vigilantes e sem qualquer cor partidária,voltaremos às manifestações,caso achemos necessário.

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  7. Comentado por:

    Manfred

    Acredito que esse assunto deveria ser mais divulgado. O Projeto contra a Corrupção deveria ser assunto de destaque em todos os veículos de comunicação, para que comece um movimento popular de pressão sobre todos os parlamentares e o assunto não esfrie. Isso é fundamental para o Brasil e o combate a corrupção. Vamos lá, imprensa brasileira. Divulgar, divulgar, divulgar….

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  8. Comentado por:

    Foro é excrescência elevada à última potência!

    Excrescência elevada à última potência!!! Em um país desigual, pleno de iniquidades é longe de ser uma democracia. Haja vista o que está vindo à luz com os “mensalões”, “petrolões” e quantos tantos ” ãos ” ainda ocultos.
    Por que sujeitos riquíssimos, sem qualquer vocação para homens públicos (representantes do povo), fazem tudo pra ser parlamentar???! Elementar, meu caro Watson!!!

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  9. Comentado por:

    Jorge Silva

    Há que se entender a razão ou as razões primitivas da adoção do foro previlegiado em sua época, o que foi positivo e negativo para se ter a exata noção do que pode acontecer com a sua extinção. Relativizando sob o prisma do bom senso, chega-se facilmente a idéia de autoproteção dos ditos representantes do povo. Que teriam pelo poder dado a eles, o direito de não serem submetidos a uma instância ordinária de outro Poder. No caso o Judiciário, muito poético, se o mandato parlamentar não fomentasse tamanha sanha de sacanas, sociopatas e oportunistas em geral. Pior, se estes não levassem tamanha vantagem sobre os honestos que costumam respeitar as regras e não batem tão abaixo da linha de cintura como estes fazem com tanto prazer. Dinheiro, poder e a possibilidade de moldar o sistema a seu bel prazer, são atrativos fortes demais para não se questionar a qualquer tipo de autoproteção vinda dos ditos representantes do povo. Farão o que é de sua natureza e os cacos do país ficam para os trabalhadores honestos tentarem reerguer. Indicação política do STF, sem uma inteligente e forte carga de requisitos a serem obrigatórios ao ingresso, um sistema de votação que facilita a vida dos que não se importam em mudar a forma como são vistos pelo eleitor, pesando sobre a obrigatoriedade do voto no Brasil. O ingresso fácil de quem ajuda ou financia campanhas de ingressarem como suplentes ou na carona de puxadores de votos, e estes não representam nem aos políticos que os colocou lá, pois sequer existe coerência no partido que escolheu. Tanta avacalhação como constante da equação, jamais rederá um país decente com resultado, apenas ilhas de desenvolvimento.

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  10. Comentado por:

    Carlos Neto

    Excrescência elevada à última potência!!! Em um país desigual, pleno de iniquidades é longe de ser uma democracia. Haja vista o que está vindo à luz com os “mensalões”, “petrolões” e quantos tantos ” ãos ” ainda ocultos.
    Por que sujeitos riquíssimos, sem qualquer vocação para homens públicos (representantes do povo), fazem tudo pra ser parlamentar???! Elementar, meu caro Watson!!! (2)

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