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O IBGE descobre o ‘aglomerado subnormal’ e acaba com as favelas do Brasil Maravilha

Primeiro, Lula criou o Fome Zero e acabou com os famintos que herdou de FHC, e todos os brasileiros passaram a saborear pelo menos três refeições por dia. Depois, Lula criou a nova classe média e acabou com a pobreza que herdou de FHC, e todos os pobres foram intimados a subir para a divisão superior […]

paraisopolis

Onde se vê uma favela, o IBGE enxerga um ‘aglomerado subnormal’

Primeiro, Lula criou o Fome Zero e acabou com os famintos que herdou de FHC, e todos os brasileiros passaram a saborear pelo menos três refeições por dia. Depois, Lula criou a nova classe média e acabou com a pobreza que herdou de FHC, e todos os pobres foram intimados a subir para a divisão superior sem que tivesse subido o salário.

Mais tarde, Dilma Rousseff criou o programa Brasil sem Miséria e acabou com os indigentes que Lula, decerto por distração, esquecera de incluir na classe média, e todos os miseráveis da nação aprenderam que podem viver muito bem com 3 reais por dia, e se não forem perdulários logo estarão viajando de avião ou embarcando no trem-bala.

Sem fome, sem pobreza, sem miséria, o que estaria faltando para que o Brasil Maravilha virasse uma Noruega com muita praia, carnaval, mulata, futebol e jabuticaba? Acabar com os milhões de nativos que se espremem em barracos pendurados nos morros, hasteados nos pântanos ou fincados na periferia das cidades, decidiu o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Depois da divulgação de um estudo que abrange a população que sobrevive nesses tumores urbanos, já não falta mais nada. Pelo que se lê no papelório, os alquimistas do IBGE decretaram que, a partir deste começo de novembro, o que parece uma favela é um “aglomerado subnormal”. Isso mesmo: “aglomerado subnormal” é a grande novidade apresentada nesta primavera pela novilíngua companheira.

Embora a imensidão de favelados esteja onde sempre esteve, as favelas não existem mais. Haja cinismo.

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  1. Comentado por:

    Marcilio Felippe

    Esse termo que aparece no papelório do IBGE, é utilizado antes do Censo de 2000. É essa a questão. Criticar que o nome é inadequado, que esconde favelas vá lá, aceitável. O que não se aceita é distorcer fatos. O fato é que esse termo não é novo, não é coisa de alquimistas. Sugiro uma visita a qualquer Unidade Estadual do IBGE, ao Departamento de Geociências, a presidência do IBGE para conhecer os mágicos, e perguntar-lhes desde quando a Base Territorial do IBGE utiliza esse e outros termos técnicos.
    Só virou manchete agora.

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  2. Comentado por:

    sebastiao menezes

    Direto ao assunto = Foi antes do ano de 2000 que o IBGE passou a utilizar o termo aglomerado subnormal ao invez de favela, portanto antes do governo PT, sendo assim, criticam o FHC e o PSDB, se querem culpar alguém ou algum partido.

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  3. Comentado por:

    Clovis P

    Você acha que favela é problema? A gente põe um turista bobão qualquer andando de teleférico e falando para a camera ‘favela is beautiful’ e pronto. Está resolvido o problema da favelização das cidades brasileiras.

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  4. Comentado por:

    Thomas Cortado

    Além de todas as “omissões” já levantadas nos comentários do Marcílio Felippe, vale ressaltar mais uma: se o IBGE fala de “aglomerado subnormal” por conta das diversas terminologias regionais acerca de moradias precárias e porque, ao invés das palavras usadas na língua coloquial, a de “aglomerado subnormal” resulta de uma definição técnica, ainda se fala de “favela” no Rio de Janeiro, só que quem define e usa esta noção é o Instituto Municipal de Urbanismo Pereira Passos. É também este mesmo Instituto que é responsável pelo cadastro das favelas no Rio (que pode ser livremente consultado na internet através do SABREN: como o senhor não deixará de anotar, usa-se ainda a palavra favela). Favela e aglomerado subnormal são duas coisas tão diferentes que nem sempre as fronteiras dos dois se sobrepõem: há favelas no cadastro do IPP que não sempre aparecem nas estatísticas do IBGE acerca dos aglomerados subnormais, sobretudo as menores e mais recentes. Atenciosamente.

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  5. Comentado por:

    Max

    Vi que para ser caracterisada um aglomerado subnormal é preciso minimo 51 unidades habitacionais consideradas carentes. E se tem um aglomerado com apenas 50 unidades carentes? E favela ou não?

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