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Augusto Nunes Por Coluna Com palavras e imagens, esta página tenta apressar a chegada do futuro que o Brasil espera deitado em berço esplêndido. E lembrar aos sem-memória o que não pode ser esquecido. Este conteúdo é exclusivo para assinantes.

Eliziário Goulart Rocha: O reinado do baixo clero

O baixo clero, não satisfeito em prejudicar a nação com sua incompetência, por vezes leva ao paroxismo o conceito de vergonha alheia

Por Augusto Nunes Atualizado em 30 jul 2020, 20h49 - Publicado em 12 jul 2017, 07h10

Em texto publicado na edição impressa de VEJA, e disponível aqui em sua coluna (Oswaldo Aranha, o insuperável número 2), cujos protagonistas são o próprio Aranha e Getúlio Vargas, Augusto Nunes definiu com precisão o rebaixamento político e moral do parlamento brasileiro nas últimas décadas. Ao citar o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso – “Eu tive o privilégio de conviver com homens como Darcy Ribeiro, Roberto Campos, Afonso Arinos, Tancredo Neves, Ulysses Guimarães e outras cabeças brilhantes” –, Augusto comenta: “Todos os integrantes da lista de FHC tinham o status de cardeal. Mas também tinham mais de 70 anos. A morte dos últimos servidores da nação extinguiu o cardinalato. Hoje o Legislativo é governado pelo baixo clero”.

O baixo clero, não satisfeito em prejudicar a nação com sua incompetência, por vezes leva ao paroxismo o conceito de vergonha alheia. Como esquecer que a Câmara já foi presidida por um Severino Cavalcanti, que, sem cacife sequer para participar do Mensalão, resignou-se com um mísero Mensalinho de R$ 10 mil mensais pagos por um dos donos do restaurante da Câmara? Waldir Maranhão, uma espécie de cosplay do Tiririca, foi outra nulidade a ocupar, felizmente de maneira fugaz, a cadeira do terceiro na linha de comando da Nação. São apenas dois de incontáveis exemplos de constrangimento nacional. O baixo clero chegou para ficar. Rodrigo Maia até pode parecer razoável à vista dos desavisados, mas é só mais um genuíno integrante do baixo clero a galgar o posto. No deserto de grandes homens públicos que o Brasil atravessa hoje dia, capaz de levar ao poder figuras como Lula, Dilma ou Temer, não se pode mesmo esperar que o Congresso esteja nas mãos de gente melhor do que de fato está.

Independentemente de sua posição, o deputado Sérgio Zveiter, relator na Câmara da denúncia oferecida pela PGR contra Temer – posto que deveria ser muito importante –, é outro legítimo membro do clube dos parlamentares nanicos. Pior é que sabe disso. “Como eu não tenho cargo no governo, como eu não sou de frequentar palácio, como eu não sou de frequentar ministério, eu sou uma pessoa que tem consciência de que não faço parte nem do Executivo, nem do Judiciário, nem do Ministério Público, eu estou totalmente tranquilo”, discursou Zveiter, confirmando que é totalmente irrelevante. “Eu faço parte, segundo as pessoas têm dito, de uma ala do PMDB independente. Se fazer parte de um PMDB independente é fazer parte de um partido que quer um futuro melhor, com práticas corretas, honestas e dignas de um parlamentar, eu me sinto honrado em fazer parte desse PMDB”, afirmou em entrevista, dizendo, sem querer, querendo, que o PMDB de verdade não está preocupado com nada disso.

Considerando-se a sequência recente de inquilinos do Palácio do Planalto, a envergadura política do relator está de bom tamanho.

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