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Carta de Fernando Henrique Cardoso enviada ao jornal O Estado de S. Paulo

CARTA PUBLICADA NO ESTADÃO DESTA QUARTA-FEIRA Calúnias Li com espanto a entrevista do sr. Gilberto Carvalho publicada neste jornal na edição de domingo passado (“Ninguém engana a Dilma nem põe faca no pescoço dela”, 5/12, A10). Espanto porque imaginei que o entrevistado devesse estar mais preocupado em se defender de insinuações que podem manchar a […]

CARTA PUBLICADA NO ESTADÃO DESTA QUARTA-FEIRA

Calúnias

Li com espanto a entrevista do sr. Gilberto Carvalho publicada neste jornal na edição de domingo passado (“Ninguém engana a Dilma nem põe faca no pescoço dela”, 5/12, A10). Espanto porque imaginei que o entrevistado devesse estar mais preocupado em se defender de insinuações que podem manchar a sua biografia ─ a de haver sido receptador de propinas extorquidas por um bando de seus companheiros de partido que teriam usado a administração petista de Santo André para obter recursos para uso político, como afirmam procuradores estaduais ─ do que em dar curso a calúnias contra mim.

Lula, segundo o entrevistado, recusa o termo “mensalão” para caracterizar os desatinos praticados nas relações entre seu governo e a Câmara dos Deputados, quando da alegada compra de apoios políticos. Na verdade, trata-se de mero jogo de palavras para negar a periodicidade da propina, e não sua existência. Artifício semelhante a outro ─ este com consequências jurídicas maiores ─ quando afirmou que o dinheiro utilizado naquelas práticas teria sido obtido de “sobras de campanha”, esquecendo-se de que houve transações entre poder público e agentes privados como no caso da Visanet.

Para melhorar a imagem presidencial, Gilberto Carvalho diz que Lula, ao negar que seu governo tenha comprado votos, me acusa nominalmente de tê-lo feito para aprovar a emenda da reeleição. Ora, jamais houve qualquer indício nem qualquer afirmação direta de que eu assim procedera. Mais ainda, os rumores sobre uma escuta telefônica feita entre deputados de um Estado que estariam envolvidos em tais práticas aberrantes surgiram num jornal meses depois de aprovada a referida emenda, com votação avassaladora ─ 80% no Senado e margem de mais de 20 votos acima dos 308 requeridos na Câmara.

No caso, a referida escuta teria feito alusão ao primeiro nome de um de meus ministros. Para evitar dúvidas o ministro eventualmente aludido foi, por decisão própria, à Comissão de Justiça da Câmara, prestou todos os esclarecimentos e desafiou quem dissesse o contrário da verdade, que era sua inocência. Posteriormente, três ou quatro deputados ─ mais tarde ligados à base do governo Lula ─ renunciaram a seus mandatos para evitar cassações, confessando culpa, mas sem qualquer envolvimento do PSDB e muito menos do governo ou meu.

Se não fosse o suficiente ser um procedimento contrário à ética, mesmo em termos pragmáticos, seria de todo descabido comprar o que era, explicitamente, oferecido: a opinião pública, os editoriais de toda a mídia e a maioria avassaladora do Congresso Nacional eram favoráveis à emenda da reeleição, contra a qual se batiam isoladamente o PT e os “malufistas”, pela razão de haver nessas correntes quem quisesse disputar as eleições presidenciais e temesse minha força eleitoral, comprovada na reeleição em primeiro turno em 1998. Estes são os fatos.

Custa-me a crer que Lula, para se defender do indefensável no caso do mensalão, ataque a honra de um ex-presidente que foi seu amigo nas horas difíceis e que não usa de artimanhas para desacreditar adversários. Dói mais ainda que pessoas como Gilberto Carvalho ecoem o sabidamente falso para endeusar o chefe. Sinal dos tempos, que arrastam mesmo os que parecem ser melhores a cair na calúnia, na mesquinharia e na mediocridade.

FERNANDO HENRIQUE CARDOSO

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  1. Comentado por:

    Jean

    Bons tempos eram aqueles governados por FHC. Saudade.

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  2. Comentado por:

    Enio

    É um país estranho, o nosso. FHC, estadista, poliglota, sociólogo, deixou seus 8 anos de governo com 29% de aprovação. Lula, monoglota, operário, com educação escolar mínima, termina os seus 8 anos com 87%. Alguém tem explicação? Eu não tenho.

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  3. Comentado por:

    o desPTtizador

    Gilberto Carvalho é apenas um espião do lulla aPTo a sabotar a dilminha fofolete! É um sacerdote do DIABO q, segundo ele, vai pegar todos nós q sentimos ascos destes abjetos do PT!

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  4. Comentado por:

    Mauricio

    Caro Enio, se o Lulla não inventasse de comprar votos com bolsas, sua popularidade não passaria de míseros 8,7% (estou sendo generoso e deixando 10% do que disse). O PT conseguiu transformar o sertanejo nordestino, um tipo de gente que NUNCA desistiu mesmo com secas ano após ano, que sempre foi guerreiro, em miserável que aguarda assistência. Veja no Piauí. Quanto à reduçao do desemprego, ainda tem outra coisa: quem participa das bolsas não entra na conta de desempregados.

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  5. Comentado por:

    Izaumi Dias de Castro

    È incontestavel a diferença entre o período FHC e Lula. Saimos de um governo sério para um populismo,aparelhamento das instituições e marketing milionário para esconder o fracasso do petismo que tudo faz para se perpetuar no poder

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