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Augusto Nunes (6ª e última parte): “Quando me encontrou no Jornal do Brasil, o Zé Dirceu só disse o seguinte: ‘Oi, chefe’”

“Um profissional pode ser independente em qualquer veículo. Sempre que aparece um trabalho sujo na imprensa, existe a mão de algum jornalista. Patrão não escreve. Manda escrever”.

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  1. Comentado por:

    Valentina de Botas

    É no livro V da Odisseia que Ulisses naufraga na ilha de Ogígia e fica retido por sete anos de amores cotidianos com Calipso, a belíssima ninfa, naquele lugar em que o mar é cristalino e a terra reveste-se de pradarias de violetas permanentemente. Como se não bastasse – e o que bastaria aos nossos corações humanos concebidos para desejar? –, ela oferece, para que ele não a deixasse, imortalidade e vigor perene. O pouco que sabia a respeito dele era o suficiente para a paixão acometer até o ser não humano: o destino trouxera o viajante até a feiticeira bela que, conhecendo a já famosa odisseia até ali, adivinhava o resto pela confluência dos sentidos. E que mulher não é feiticeira se apaixonada? Voltando à Ítaca, Ulisses se condenaria ao que é pó em nós, às imperfeições da fugaz vida humana que a fazem possível. A decisão do herói ensina que o homem sábio é consciente de que lhe é impossível abolir a condição humana; que a realização plena de todos nossos desejos é morrer; que não “retomar o caminho de Ítaca” não é viver. Revi esta tua entrevista, Augusto, lembrando desta passagem deste clássico infinito, como todos os clássicos. Você comenta que, quando diretor do Estadão, estava preocupado como fato de mais de 70% dos leitores terem mais de 35 anos; eu tinha 25, também assinava a Folha e a Veja e lia jornais e revistas estrangeiros porque acredito que, ao cidadão, tão importante quanto se informar é se informar a respeito de quem o informa e a diversificação da leitura o situa quanto a cada veículo numa paisagem com muitas opções. Vibrei pelo vetusto jornal quando, naquela segunda-feira de outubro 1991, não apenas havia uma edição inédita até ali, como também era colorida. Linda! Por isso, você deve saber que fez a diferença para os leitores do Estadão; não só por isso, fez a diferença no jornalismo brasileiro; por isso e tudo o que esta entrevista revela, faz diferença para quem vê a vida como a liberdade de buscar Ítaca. Você pôde muitas vezes fixar-se numa ilha para sempre com a mesma amante (mesmos desejos, entenda-se), atrofiando a alma sob a hecatombe da própria quietude no fenecimento dos impulsos, mas rendeu-se ao que o torna homem, na virilidade de um embate que se vence na coragem de o manter. E o relato disso é delicioso, contagiante, com tua figura solar cobrindo tudo de dignidade e alegria. Há imbecis, canalhas e tormentos grandes e pequenos? Claro, como em qualquer situação humana, mas há o prazer só teu de ser o capitão deste teu navio. Cansa, são muitos anos fazendo isso, o encanto não é o mesmo dos primeiros 10 ou 20 anos, talvez a grana não compense e a idade uma hora chega? Claro, mas se o ritmo cai naturalmente, a intensidade brilha sempre recém-nascida nos olhos do jornalista apaixonado que parece ter o exclusivo mapa do trajeto para Ítaca com as secretas ilhas habitadas por novas Calipsos. Esta odisseia particular não tem preço e nem o tempo, nada ou ninguém tira de você. Com altivez serena, você reconhece que teve ajuda e sorte, e vemos também que você ajudou a sorte de muita gente. Desculpe se o tamanho do comentário é inoportuno numa semana loucamente ocupada, mas teu coração audacioso, tua alma livre e tuas atitudes generosas me inspiram num momento pessoal em que exemplos assim me nutrem. Um beijo
    Um beijo, Valentina.

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