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Augusto Nunes Por Coluna Com palavras e imagens, esta página tenta apressar a chegada do futuro que o Brasil espera deitado em berço esplêndido. E lembrar aos sem-memória o que não pode ser esquecido. Este conteúdo é exclusivo para assinantes.

A reincidência de Duda Mendonça confirma: o antigo marqueteiro do reino sempre esteve ao lado dos ratos

Para escapar da Lava Jato, o inventor do Lulinha Paz e Amor e dos roedores da bandeira nacional reprisa a vigarice que o livrou do Mensalão

Por Augusto Nunes - Atualizado em 30 jul 2020, 21h23 - Publicado em 9 nov 2016, 11h30

Atualizado às 11h30

Em agosto de 2005, o marqueteiro Duda Mendonça apareceu sem avisar na CPI que investigava o escândalo do Mensalão. Chorando lágrimas de esguicho, na imagem perfeita de Nelson Rodrigues, jurou que fora obrigado a abrir contas ilegais num paraíso fiscal para receber o pagamento pela campanha eleitoral de 2001. Graças ao truque, o inventor do Lulinha Paz e Amor, caiu fora do processo que se arrastava no Supremo Tribunal Federal ─ e escapou de uma possível temporada na gaiola.

Na semana passada, decidido a reprisar a vigarice, Duda apresentou-se sem marcar hora a investigadores da Operação Lava Jato. Com voz embargada, confessou que se viu forçado a recair na delinquência para embolsar o que lhe devia Paulo Skaf, candidato a governador de São Paulo em 2014, que contratou os serviços do ex-marqueteiro de Lula. E propôs um acordo: em troca da preservação do direito de ir e vir, revelaria detalhes que pioram ainda mais o retrato do presidente da Fiesp.

Pelo menos três constatações recomendam que a proposta seja atirada à lata de lixo mais próxima. Primeira: a delação premiada da Odebrecht, que abrange também a campanha de Skaf, torna dispensável o que Duda tem a dizer. Segunda: o marqueteiro chorão é um reincidente compulsivo. Terceira: esse defeito de fabricação só tem conserto na cadeia. Se escapar de novo pelo atalho da malandragem, daqui a 11 anos estará de volta para confessar que pecou outra vez.

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Na campanha presidencial de 2002, aliás, fez sucesso o filmete criado por Duda em que a bandeira do Brasil era roída em poucos segundos por um bando de ratos. Exibida no horário eleitoral do PT, a peça de propaganda foi concebida para vender a ideia de que o partido do candidato Lula detinha o monopólio da ética. Os outros ─ “eles” ─ não passavam de assaltantes de cofres públicos.

O Mensalão mostrou que os roedores que se multiplicam no comercial eleitoreiro moravam nos esgotos do PT. O Petrolão provou que roeram furiosamente muito mais do que bandeiras. O que parecia propaganda eleitoral era programa de governo. Soube-se então que os bichos só pararam de fazer o que fazem no vídeo quando a Lava Jato chegou. Agora se sabe também que Duda Mendonça sempre esteve do lado dos ratos.

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