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A Origem dos Bytes Por Filipe Vilicic Crônicas do mundo tecnológico e ultraconectado de hoje. Por Filipe Vilicic, autor de 'O Clube dos Youtubers' e de 'O Clique de 1 Bilhão de Dólares'.

Redes sociais deixam as pessoas mais informadas… de mentiras

É a conclusão, até que óbvia, de um novo estudo. Mas qual seria a solução para o tamanho da encrenca que isso se tornou?

Por Filipe Vilicic - Atualizado em 14 Maio 2019, 17h51 - Publicado em 14 Maio 2019, 15h53

Uma pesquisa divulgada na segunda-feira, 13, pelo estadunidense Pew Research Center revelou duas informações que à primeira vista podem aparentar contraditórias. Mas não são. Realizado em diversos países pobres (o Brasil não estava entre eles), como Venezuela, México, Índia e Jordânia, o estudo indicou que as pessoas consideram que as redes sociais ajudaram a manter a população informada; por outro lado, em todas as nações, uma porcentagem similar de indivíduos também apontou que a internet permitiu que fosse mais fácil manipular o público com boatos e informações falsas.

Em média, 78% dos cidadãos ouvidos registraram que veem em sites e apps formas de se atualizarem. Assim como 72% disseram que as novas mídias proliferam fake news, mentiras e dados maquiados. Resultou-se ainda em outra só aparente contradição: 75% afirmaram se deparar com novas ideias na web; 68% também destacaram encontrar muito conteúdo falso.

Os dados são diretamente relacionados entre si e exibem as mesmas similaridades no caso de cada país analisado. Sim, as pessoas têm usado WhatsApp, Facebook, Instagram, YouTube para tentar saber o que acontece no mundo. Tanto que um levantamento divulgado em abril pela Google indicou que o público já recorre mais a youtubers do que a jornalistas e notícias para formarem suas opiniões. Uma constatação perigosíssima.

O mar de informações da internet é demasiadamente contaminado por notícias forjadas – como já abordei, inclusive, em uma palestra no TEDx. Logo, o resultado não é extraordinário. O público tem se informado mais sobre…  mentiras. Pelo jeito, inclusive ouvindo em demasia seus youtubers favoritos; e, pior, acreditando que estes exprimem fatos, não visões (por vezes deturpadas) particulares da realidade.

Para piorar, uma boa parcela do público não consegue compreender o que lê. No Brasil, segundo levantamento da ONG Ação Educativa realizado em 2018, três em cada dez não aprenderam o suficiente na escola nem para entender a maioria das palavras de um livro. Pode-se facilmente assegurar que uma parcela ainda maior apresenta dificuldade de interpretar aquilo que consegue, em tese, ler.

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Uma pesquisa realizada em 2016 pela Universidade Stanford, nos EUA, revela um cenário preocupante. Dentre os mais jovens, os chamados nativos digitais, tão-somente um quarto é capaz de distinguir uma notícia verdadeira de uma fabricada por um qualquer na internet. Assim como 80% nem consegue separar o que é um anúncio em uma rede social do que seria uma reportagem. Além disso, a maioria também não se preocupa com a veracidade de fotos e vídeos nem demonstra habilidade de identificar o viés ideológico no post de um grupo ativista.

As redes sociais se tornaram máquinas globais e quase instantâneas de informações relevantes, assim como daquelas frutos de manipulação, por vezes com fins tenebrosos. Qual é a solução? Em um cenário ideal seria atentar à educação. Aprimorar o aprendizado para tornar as pessoas aptas a saber garimpar pela informação online e digeri-la adequadamente.

No entanto, convenhamos, não vivemos no mundo ideal. E o problema tem tomado tamanha dimensão que as redes sociais já chegaram a ser tidas como ameaças à democracia até mesmo por quem as criou (leia mais no link). Logo, o caminho plausível e próximo é exigir das próprias redes sociais, como do Facebook e do Twitter, que achem ferramentas para driblar esse imbróglio. A exemplo de formas de auxiliar seus usuários a separar a pura mentira dos fatos que circulam.

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Se as empresas não se revelarem interessadas ou capazes de vencer o desafio, aí a tarefa acaba na mão dos governos, que podem quebrar monopólios digitais ou regularizá-los com o rigor de serviços públicos essenciais. Só que o risco aí será outro: políticos raramente são os mais confiáveis para lidar com situações nas quais se envolvem tópicos como veracidade de informações, privacidade individual e controle de dados.

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