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O Facebook manipula as notícias exibidas na rede social, alegam ex-funcionários

O popular site americano de tecnologia Gizmodo fez uma revelação preocupante: ex-funcionários do Facebook, que trabalhavam no departamento de “trending topics” (os tópicos mais populares) da maior rede social do planeta, admitiram que manipulavam notícias exibidas no site. O grande problema é que a empresa sempre defendeu que sua página é completamente neutra. Para um […]

O popular site americano de tecnologia Gizmodo fez uma revelação preocupante: ex-funcionários do Facebook, que trabalhavam no departamento de “trending topics” (os tópicos mais populares) da maior rede social do planeta, admitiram que manipulavam notícias exibidas no site. O grande problema é que a empresa sempre defendeu que sua página é completamente neutra. Para um assunto aparecer no “trending” (os “populares” – influente seção com força para impactar, por exemplo, as próximas eleições presidenciais americanas, neste ano), bastaria que ele tivesse repercussão entre os usuários. Quantos mais fosse citado, mais alto subia na lista de popularidade e, assim, maior destaque ganharia nas timelines das pessoas. Parece, contudo, que não é bem assim.

Segundo relatos coletados pelo Gizmodo, funcionários do Facebook, formados nas melhores universidades americanas, eram encarregados de rotineiramente suprimir histórias de interesse conservador. Da lista seriam excluídas, por exemplo, pautas sobre políticos republicanos, a exemplo de Mitt Romney, que fora candidato à presidência em 2012. Mesmo que essas notícias estivessem, de fato, entre as populares. Ou seja, os usuários eram simplesmente enganados pela rede.

Em destaque: a área de "trending" do Facebook

Em destaque: a área de “trending” do Facebook

Em paralelo, o time do Facebook, conhecido internamente como “os curadores de notícias”, tinham de injetar, dentre os “populares”, assuntos considerados relevantes pela companhia. Mesmo que eles não sejam lidos com frequência suficiente pelas pessoas. Ou seja, viram “populares” as pautas de apreço de Mark Zuckerberg (o todo-poderoso fundador e CEO da rede) e seus colegas, não o que é realmente “popular”.

Como exemplo, notícias sobre os conflitos na Síria eram artificialmente infladas dentre da rede, para passar a falsa impressão de que assuntos ditos “sérios” reverberam nesse ambiente virtual (conhecido, convenhamos, mais pelas fofocas e pelas opiniões extremas). “É absolutamente enviesado. Fazíamos tudo de forma subjetiva. Só dependia de quem era o curador naquele momento, e qual era sua opinião”, disse um dos ex-funcionários que resolveram realizar a denúncia ao Gizmodo.

Para agravar ainda mais a situação, relata-se que o trabalho de mídias americanas mais conservadoras, a exemplo do Washington Examiner, também era excluído dos “populares”. Mais: entravam artificialmente na lista as manchetes de sites de peso, a exemplo do New York Times. Uma das razões para isso, além do viés político, seria a competição com o Twitter. A rede dos 140 caracteres é famosa por ser eficiente na divulgação de notícias, em tempo real. O Facebook não queria ficar para trás nisso. Por isso, os “curadores” tinham de destacar as notícias “quentes”, mesmo que elas ainda não tivessem a repercussão necessária para tal.

Os relatos foram feitos por ex-empregados . Porém, tudo indica que a prática continua.

Para entender a gravidade, é como se no Brasil se privilegiassem notícias de um político específico de esquerda, a exemplo das opiniões dos defensores de Dilma Rousseff, em detrimento das ideias de direita. Ou, ainda, como se uma mídia de esquerda tivesse maior privilégio do que uma chamada de direita. Mais: o Facebook manipularia a linha do tempo dos usuários para exibir assuntos de interesse da companhia no Brasil (numa simples contextualização, aqui sem pé no “real,” como a implementação de um projeto da empresa no país).

A edição dos “populares” do Facebook não seria um problema se a empresa admitisse o método. Com isso, assumiria sua intenção de ser uma mídia opinativa, não um campo neutro de discussões (como se vende). Entretanto, ocorre o contrário: a rede social defende que toda a análise do que é popular é feita por um algoritmo, controlado pelos funcionários, porém, sem considerar interesses políticos e afins. Parece que não é bem assim.

Outro lado: Tom Stocky, VP do Facebook responsável pelo departamento em questão, escreveu em seu perfil defendendo que não é real a prática relatada pelos ex-funcionários: “Não permitimos ou aconselhamos nossos revisores a sistematicamente discriminar contra fontes de notícias ou contra ideologias e desenhamos nossas ferramentas para tornar isso tecnicamente impossível”.

Será?

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Comentários
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  1. Comentado por:

    Rose

    O que esperar de um cara que rejeitou o amigo brasileiro que lhe emprestou dinheiro logo depois que conseguiu sucesso e se tornou famoso? Nunca gostei de Mark Zuckerberg. Essa coisa de aparecer de roupão em uma reunião de executivos afirmando que ele era o chefe é a coisa mais irresponsável e desrespeitosa que eu já vi no meio empresarial.
    Não era preciso os ex-funcionários denunciarem a prática de manipulação das notícias. Ela já era evidente.

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  2. Comentado por:

    J4S0N7

    Mark, é uma criatura controversa. Quando o bom e insuperável Orkut ainda existia e estava no auge, recebi em meu e-mail, uma mensagem que dizia que meu perfil já estava pronto no facebook, bastava eu “ativá-lo”. Alguns anos depois, ex-funcionários denunciaram que a rede do Sr. Zuckerberg criava perfis sem o conhecimento dos usuários, fato desmentido por Zuckerberg. Bom, quem cria perfil sem autorização de usuário, pode muito bem manipular notícias.

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  3. Comentado por:

    Sean Jaegar

    Se o funcionário não gravou e filmou o acontecido em diversas ocasiões, se não existe um memo explícito do Mark Zuckerberg para comprovar o fato, então ficamos no disse me disse e, sinceramente, isto é uma perda de tempo.

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  4. Comentado por:

    Gutenberg

    “Liberal”, nos EUA, tem o significado contrário a liberal no Brasil: postagens de cunho conservador (conservative) eram descartadas, e de esquerda (liberal) eram priorizadas. Está escrito o oposto no subtítulo desta matéria.

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  5. Comentado por:

    alex

    Facebook, instrumento de engenharia social. Eles acham que sabem o que é melhor para você, e para o mundo.

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  6. Comentado por:

    Bruno

    Solução simples: excluam seus perfis no Facebook. Parem de usar que ele acaba.

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  7. Comentado por:

    Luiz

    Não é novidade…Todos os sites tem “moderadores” ou manipuladores. Enquanto funcionários, agradam o “chefe”, para ter no final do mês… mas quando saem aparecem os podres. Se este não é confiável em manter segredo em determinados assuntos, somente exemplifica porque talvez tenha sido demitido. Ponto de vista: em tudo existe uma verdade a ser escondida, motivada por interesses econômicos, financeiros e políticos.

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  8. Comentado por:

    mãe nininha

    parabens pela matéria.

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  9. Comentado por:

    Mack740

    @Sean Jaegar: concordo plenamente! Uma vez que não há nenhum memo de próprio punho ou gravação (nem mesmo em áudio) de Adolph Hitler ordenando explicitamente a morte dos judeus nos campos de concentração, durante a II Guerra Mundial, só podemos concluir que o Holocausto na Alemanha Nazista, as câmaras de gás e os fornos de cremação foram apenas um “disse que me disse” (nota: estou usando sarcasmo, talvez você não entenda). Se você, em algum momento da sua vida, trabalhou em alguma empresa ou organização, então já deve ter testemunhado situações em que ações são ordenadas sem qualquer formalização – seja por questão de agilizar processos, seja porque ninguém queria arcar com a responsabilidade depois, especialmente em empresas de tecnologia de informação. E, melhor avisar, nessas ocasiões normalmente não há um ensaio ou aviso prévio, do tipo, “vou dar uma ordem para vocês ignorarem reclamações de fulano às 15:00 de hoje, estejam lá na sala de reunião com celulares escondidos para gravar a conversa e me ferrar depois”. O comportamento organizacional dentro de uma empresa é feito de regras não-explícitas, e que são estimuladas pela sua alta gerência (seja pelo incentivo, seja pela censura), e o Facebook é uma empresa privada sem nenhuma transparência – é uma tolice acreditar, levando-se em conta ou não a denúncia feita no Gizmodo, que o que vemos no trending topics do FB é isento de qualquer filtro ou censura. O discurso de neutralidade do Zuckerberg é apenas uma peça de relações públicas – sempre foi, e sempre será.

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  10. Comentado por:

    fred oliveira

    De alguma maneira essapratica ja’ e’ utilizada no Brasil pois a agenda chamada progressista predomina. Nada que venha a expressar, por exemplo, as ideias liberais, consideradas de direita, tem o protagonismo. A cultura da esquerda predomina nos meios de comunicacao no Brasil.

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