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COP26: países precisam aumentar ambição para cumprir Acordo de Paris

Novo relatório da ONU mostra que as promessas apresentadas pelos países levariam o planeta a um aumento de 2,7ºC na temperatura global

Por Da Redação Atualizado em 28 out 2021, 13h28 - Publicado em 27 out 2021, 18h39

A poucos dias do início da 26ª Conferência das Partes, a COP26, a Conferência das Nações Unidas sobre o Clima, o Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA) lançou um novo relatório que mostra que, com as atuais metas de cada país, o planeta caminha em direção a um aumento de 2,7ºC na temperatura global até o final do século. O Acordo de Paris, principal tratado climático criado em 2015, durante a COP21, em Paris, tem como meta limitar o aumento da temperatura do planeta em 2ºC, fazendo todo o possível para manter o aquecimento global em 1,5ºC. 

Na COP26, espera-se fechar o chamado “livro de regras” para o Acordo de Paris. Alguns pontos do tratado, como o Artigo 6, que trata sobre o mercado de carbono, ainda estão em aberto pela falta de consenso entre os negociadores que representam cada país. De acordo com o presidente da COP26, Alok Sharma, o novo relatório comprova que as nações precisam mostrar mais ambição na COP26. “Glasgow tem que ser o ponto de partida para uma década de ambições cada vez maiores. Na COP26, devemos nos unir por nós mesmos, pelas gerações futuras e pelo nosso planeta”, disse Sharma.

Por mais que o relatório mostre um resultado global negativo, o Brasil se destacou entre os países avaliados. De acordo com a publicação, apenas o Brasil e o México, ambos membros do G20,  apresentaram metas atualizadas que levam a um aumento nas emissões de gases de efeito estufa em comparação a 2010. Em dezembro de 2020, o então ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, apresentou a revisão da NDC brasileira, a contribuição nacionalmente determinada de cada país que é desenvolvida de forma voluntária. No entanto, especialistas avaliam que a proposta atualizada é menos ambiciosa do que a NDC original, ratificada em 2016.

A grande questão é que mesmo as metas dos outros países ainda não são suficientes. Segundo o relatório, em comparação aos anos anteriores, as novas estimativas retiram 7,5% das emissões de gases de efeito estufa previstas para 2030. Para alcançar a meta de 2ºC,  é necessário reduzir as emissões em 30%, sendo que limitar o aquecimento global a 1,5ºC exigiria uma redução de 55%.

Às vésperas da COP26, novas metas estão sendo anunciadas, tanto por países quanto pelo setor privado. No início de outubro, o ministro do Meio Ambiente, Joaquim Leite, anunciou que apresentará na conferência do clima a meta de zerar o desmatamento ilegal antes de 2030, sem detalhar como alcançará esse objetivo. Dias antes da COP26, o governo federal lançou o Programa Nacional de Crescimento Verde, coordenado pelos ministérios do Meio Ambiente e da Economia, mas sem deixar claro como os investimentos serão feitos e em quais setores. 

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