A Copa que aconteceu em um mundo que já não existe
Do tetra de Romário ao nascimento da internet comercial, da fuga de O.J. Simpson às primeiras aparições de Donald Trump, uma viagem pela Copa de 1994 e pelo mundo que ajudou a moldar o presente
Romário na janelinha com a bandeira do Brasil. Era o Brasil voltando da Copa dos Estados Unidos com o tetra.
Ok, o torneio agora será nos Estados Unidos, México e Canadá – mas ninguém tem dúvida que Donald Trump sequestrou a Copa para ele. Com uma mãozinha do presidente da FIFA, o Gianni Infantino. Dos 104 jogos da Copa, 78 serão nos Estados Unidos.
Vamos então lembrar como era o mundo em 1994 – e que Copa americana foi aquela.
Pra começo de conversa, de trás para frente – naquele avião do Romário havia muamba no bagageiro. Foi um escândalo, virou capa de VEJA. Quase estragou a festa. Foi uma treta das grandes. A Receita Federal não quis nem saber. O então presidente da CBF, Ricardo Teixeira, chegou a levar o equipamento inteiro de chopp para uma casa noturna que estava inaugurando.
Em 1994, a internet mal tinha nascido, e o barulhinho que imperava era dos modens.
Um certo Donald Trump fazia ponta no cinema. O presidente dos Estados Unidos era Bill Clinton. No Brasil, nascia o Plano Real.
No meio da Copa – e quem é que ligava para ela? – o país parou para acompanhar a fuga de OJ Simpson pelas estradas da Califórnia.
Quem gostava de futebol ainda podia vibrar com a última dança nervosa de Maradona. E o Brasil de Romário e companhia? O camisa 9 foi capa de VEJA um mês antes do início da Copa. A equipe de VEJA foi até Barcelona para conversar com o gênio casca grossa.
Eram outros tempos. Dava até para seguir o carro dos jogadores da seleção nos dias de folga.
Aqui, Aldair, Bebeto e Mazinho nas ruas do Vale do Silício. A polícia montada fazia a segurança, muito discreta. A seleção entrava em campo de mãos dadas. Zagallo dizia: “Vocês vão ter de engolir”. O pessoal da Casseta e Planeta bagunçava o coreto. Indígenas iam ao treino para conversar com Romário.
Era um outro mundo, trinta e dois anos atrás. Mas, pensando bem, Trump já tinha dado a deixa, porque é tudo dinheiro.
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