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#42 A EDUCAÇÃO: A expansão do saber

A sala de aula vem se transformando nas últimas décadas — e mais mudanças ocorrerão, numa era em que aprender virou exercício contínuo

Por Jana Sampaio - 21 Sep 2018, 07h00

A Grécia, berço da filosofia, deu ao mundo o conceito de zétesis — a busca incessante do conhecimento pleno mesmo com a consciência de que ele nunca será alcançado. Pois é um conceito criado há milênios que dá o tom da transformação radical que a educação vem sofrendo nas últimas décadas. Na história do conhecimento humano, nunca o exercício de procurar o saber foi praticado com tanto afinco quanto agora, nestes tempos de informação vasta e acessível. Estima-se que em 2030 existirão 125 bilhões de dispositivos — smartphones, tablets, computadores — conectados a esse universo inesgotável. “Quanto mais conhecimento a humanidade acumula, menos cada um de nós sabe e mais precisa buscar”, diz o americano Marc Prensky, especialista em educação.

Transposta para a universidade dos nossos dias, a questão do limite do que se ensina ganha relevância inédita. Algumas instituições já vêm revisando seu papel para sintonizar-se com esta era em que a memória prodigiosa e o conhecimento enciclopédico perderam espaço para competências mais requisitadas: capacidade de expressar ideias, produzir em equipe, navegar no desconhecido, conseguir criar e inovar, e raciocinar com lógica afiada. Vale mais fornecer aos alunos uma base sólida e ampla do que priorizar a aquisição do saber específico, que, além de perecer mais rápido do que nunca, pode ser absorvido na prática da profissão. “As novas gerações vão mudar de carreira mais de uma vez durante a vida”, lembra o filósofo Roberto Romano.

Os especialistas advertem que a jornada de aprendizado precisa ser encarada como uma lição de casa para a vida toda. Para quem ambiciona a via acadêmica, o diploma de graduação virou um mero degrau para que se alcance o Ph.D. — e além. A régua da excelência nunca esteve tão elevada. Instituições de ensino on-line que brotaram da iniciativa de uma turma inovadora, egressa das melhores universidades do mundo, estão abrindo caminhos para trazer à prática o conceito de que aprender não tem hora nem lugar; é um ato contínuo e abrangente.

No Brasil, essas ideias começam a germinar, mas entram em colisão com uma cultura antiquada que ainda vê na quantidade de conteúdo um sinônimo para ensino forte. Os países mais avançados — das primeiras séries à educação superior — estão trilhando rota exatamente oposta, ao cortar os excessos do currículo e ater-se ao fundamental, reservando tempo para aquelas competências que serão sempre úteis. Há muito que descobrir sobre como a tecnologia pode impulsionar a sala de aula, mas certamente ela já mudou o jeito de ensinar e aprender — e alargou os limites do conhecimento.

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Publicado em VEJA de 26 de setembro de 2018, edição nº 2601

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