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‘O discurso da guerra cultural é do próprio presidente’, afirma sociólogo

Demétrio Magnoli conclui que “guerra cultural” levada a cabo pelo presidente inviabiliza a presença do ministro Paulo Guedes em sua equipe

Por Da Redação Atualizado em 16 abr 2019, 16h35 - Publicado em 16 abr 2019, 16h23

Entrevistado pelo diretor de redação de VEJA, André Petry, e o diretor editorial de EXAME, André Lahóz Mendonça de Barros, o sociólogo Demétrio Magnoli foi o primeiro participante do Fórum VEJA EXAME – 100 Dias de Governo realizado na última segunda-feira (15). O sociólogo ainda afirmou que a doutrina liberal do ministro Paulo Guedes não se mistura ao nacional-populismo do presidente Jair Bolsonaro.

De acordo com ele, a suspensão do aumento de 5,7% no preço do óleo diesel, vendido pela Petrobras, anunciado pelo governo no fim de semana passado, é prova inequívoca e prática da absoluta inviabilidade do “casamento” – metáfora frequente do presidente – entre ele e o superministro da EconomiaPara ele, não é possível que liberais, como Guedes, unam-se a nacional-populistas, como ele classifica Bolsonaro, por causa da narrativa da guerra cultural adotada pela ala “ideológica” do governo – o próprio presidente e seus filhos incluídos –, que denuncia a união entre “globalistas” e comunistas em uma conspiração de escala mundial.

O sociólogo classifica a aliança como um “pacto profano”, um “Frankenstein”. “É inviável, é óleo e água, a doutrina liberal não se mistura com a nacional-populista. Esse governo é marcado, já marcado, nos 100 dias, por crises permanentes entre nacional-populistas, promotores da guerra cultural, e os liberais”, afirmou Magnoli. “O discurso da guerra cultural não é um discurso que cerca o presidente, que se aproxima do presidente, é um discurso do próprio presidente e seu clã familiar”, ressaltou.

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