Assine VEJA a partir de R$ 9,90/mês.

Feridas da alma

Casos de automutilação aumentam entre jovens. Consultórios médicos e escolas registram várias ocorrências no país

Por Da Redação - 2 ago 2019, 16h21

A automutilação pode ser um indício de que algo está errado na vida do jovem, como bullying, abuso (físico, emocional, sexual) ou falta de suporte familiar. Pode ser também o sintoma de uma doença que precisa de tratamento, como a depressão, a ansiedade ou um transtorno alimentar. “Demorei a aceitar ajuda. Faço hoje sessões com uma psicóloga e um psiquiatra. Além disso, mandei desenhar uma tatuagem de uma flor no pulso esquerdo, para esconder a cicatriz e me ajudar a lembrar que eu preciso parar. Há dois meses não me corto”, diz Beatriz Alves de Oliveira, de 20 anos.

Esta prática cresceu entre os jovens no último ano, suficientemente para chamar a atenção das autoridades. Em abril, o governo federal sancionou uma lei que estabelece que episódios do tipo precisam ser notificados aos conselhos tutelares e às autoridades sanitárias. “Ele sinaliza que há algo errado com a saúde dos jovens que precisa ser investigado”, diz o psiquiatra Rodrigo Ramos, diretor do Núcleo Paulista de Especialidades Médicas.

O distúrbio é caracterizado por machucados intencionais, que não são feitos com o objetivo de tirar a própria vida. De acordo com relatos dos pacientes, a dor do corte materializa uma sensação ruim e abstrata — de vazio, tristeza, angústia ou raiva de si mesmo. Quanto antes começar o tratamento, mais rápido os jovens melhoram e param com a prática.

Publicidade