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Astrologia ganha fôlego na internet com interesse dos ‘millennials’

Assunto a voltar a ter uma aura pop e fez a roda da fortuna girar para aplicativos especializados em previsões

Por Giovanna Romano 27 set 2019, 06h55 • Atualizado em 4 jun 2024, 15h37
  • “Mudanças trazidas pela rotação do planeta bytes criam novas oportunidades de relacionamento e abrem as portas para a prosperidade.” O guru que tivesse feito essa previsão sobre o futuro da astrologia em meados da década de 90 acertaria em cheio. As possibilidades geradas pela internet ajudaram o assunto a voltar a ter uma aura pop e a conquistar adeptos. Os velhos horóscopos se reinventaram na forma de modernos aplicativos para a massa de pessoas que vivem com um olho no smartphone e o outro nas estrelas, fenômeno que provocou um alinhamento jamais visto de investidores em torno do negócio.

    Nos Estados Unidos, a roda da fortuna girou na direção de startups como a Co-Star, plataforma lançada em 2017 que já contabiliza mais de 5 milhões de downloads. Fundada pela escorpiana Banu Guler, a empresa usa dados da Nasa para identificar o posicionamento das estrelas e planetas no céu no momento em que o usuário nasceu e, assim, fazer o mapa astral dele. No começo de 2019, a companhia recebeu uma injeção de capital de 5 milhões de dólares, um recorde nesse mercado, feita por investidores do Vale do Silício. Outro app americano, o Sanctuary, conhecido como o Uber da astrologia, que conecta astrólogos a usuários, obteve 1,5 milhão de dólares da incubadora Five Four Ventures também neste ano.

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    ESCORPIANA - Banu Guler, fundadora da Co-Star: investimento recorde (Bridget Badone/VEJA)

    O que vem impulsionando o negócio é o interesse dos millennials, como são chamados os nascidos entre as décadas de 80 e 90, os primeiros a viver em um mundo totalmente conectado. “Essa geração busca narrativas que não sejam apenas racionais para pensar o futuro”, acredita Rebeca de Moraes, fundadora e diretora da Trop, empresa especializada em estudo de tendências de mercado na América Latina. Esse tipo de audiência cria possibilidades quase infinitas para o lançamento de produtos e serviços aproveitando-se do renascimento do misticismo.

    Em 2018, por exemplo, Maria Grazia Chiuri, diretora criativa do gigante francês Dior, desenvolveu estampas com figuras do tarô para lenços de seda, pulôveres e jaquetas bomber com patches. “Os jovens estão vivendo em um momento de crise da verdade. Quando não se pode acreditar na sociedade, procuramos respostas que ultrapassam a razão”, afirma o psicanalista Lucas Liedke, um dos criadores da plataforma Peoplestrology, lançada no Brasil em 2018. O serviço se propõe a investigar a relação da astrologia com temas da atualidade, em busca de novas tendências culturais e comportamentais.

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    CELEBRIDADE - Susan Miller: página com mais de 300 milhões de acessos (Sunny Shokrae/VEJA)

    Se os millennials formam o público­-­alvo, a internet é o universo perfeito para a propagação da Era de Aquário. Entre 2016 e 2017, de acordo com dados do Tubular Labs, ferramenta especializada em medir redes sociais, as buscas por vídeos de astrologia no YouTube aumentaram 67%. No Facebook, a procura pelo termo evoluiu 116% e, no Twitter, o assunto cresceu 300%. Profissionais mais antigas dessa área vêm investindo pesado do mundo digital, caso da americana Susan Miller, considerada a astróloga mais famosa do mundo desde a década de 90. Seu website astrologyzone.com acumula mais de 300 milhões de visualizações por ano. Embora tenha embarcado na onda digital, ela reserva críticas a seus concorrentes, como a Co-Star. “É preciso ficar atento às informações genéricas que circulam pela internet”, afirmou ela a VEJA. No Brasil, começaram a proliferar nos últimos tempos perfis no Instagram, aplicativos e podcasts. Tem gente até fazendo mapa astral pelo WhatsApp. Um dos casos de sucesso é o da gaúcha Bruna Paludo, ou a Madama Br000na, como é conhecida nas redes sociais, onde possui mais de 170 000 seguidores. Outra figura de destaque é Paula Pires, que conta com mais de 40 milhões de visualizações no YouTube. No espaço, dá dicas variadas, incluindo de autoajuda. Ela e suas colegas passaram a ser enquadradas em uma nova categoria profissional: a de “astroinfluencers”. Essa ninguém conseguiria prever.

    Publicado em VEJA de 2 de outubro de 2019, edição nº 2654

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