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Em experimento inédito, cientistas tocam guitarra microscópica

Em estudo do começo do ano, pesquisadores da Universidade Cornell, em parceria com um físico brasileiro, construíram cordas de guitarra em nanoescala

Por Sabrina Brito Atualizado em 28 Maio 2019, 16h21 - Publicado em 28 Maio 2019, 13h43

Em um estudo publicado em janeiro na revista científica Nature, pesquisadores da Universidade Cornell (EUA) demonstraram um experimento inusitado e inédito, mas que não ganhou repercussão no mês em que foi divulgado.

Foi desenvolvido por eles um par de micropinças em tamanho nano, medida que corresponde a bilionésima parte de um metro, utilizado para esticar e tocar a cordas de uma guitarra de escala igualmente pequena. O trabalho contou com a participação de um brasileiro, o físico Gustavo Wiederhecker, professor do Instituto de Física da Unicamp.

  • Para testar o invento, os pesquisadores usaram a “palheta” microscópica para executar o hino da universidade. Foi necessário esticar e soltar a corda até que ela emitisse as vibrações precisas para produzir a harmonia da mesma forma que ocorre em uma guitarra comum.

    Devido ao fato de a corda medir o mesmo que um filamento de DNA, as vibrações produzidas eram de tons agudos demais para serem audíveis por um ser humano. Para contornar o problema, foi necessário desacelerar o som entre 500 a 1000 vezes. O resultado gravado pode ser ouvido abaixo:

    A guitarra que recebeu o encordamento de tamanho nano é uma criação mais antiga: estava guardada desde 1997. O instrumento também é uma invenção da Universidade Cornell, mas até então os cientistas não tinham encontrado uma forma de captar suas vibrações com eficiência.

    A nanoguitarra construída em 1997 em Cornell. Um micron, ou micrômetro, é equivalente a um milésimo de milímetro. Reprodução/Divulgação

    De acordo com o físico Paul McEuen, que liderou o estudo, o interesse sobre a pesquisa, neste caso, é muito mais científico do que prático. “Queremos entender como funciona a vibração de cordas minúsculas, como elas se comportam nesse tipo de situação”, explicou a VEJA.

    Já para Gustavo Wiederhecker, as aplicações da pesquisa podem ser mais pragmáticas: “As nanocordas tocadas são nanotubos de carbono que foram enrolados. As utilidades deste tipo de estrutura são muito abrangentes, envolvendo de transistores, que são elementos básicos de processamento de informação em microprocessadores, até balanças capazes de pesar um único átomo”.

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