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Será que agora sai a pílula do exercício?

O aminoácido pode reduzir a ingestão de alimentos e a obesidade, além de melhorar a tolerância à glicose

Por Sabrina Carmo 23 jun 2022, 15h40

Pesquisadores do Baylor College of Medicine, Stanford School of Medicine e outras instituições identificaram uma molécula no sangue produzida durante o exercício que reduz a ingestão de alimentos e a obesidade. As descobertas, publicadas na revista Nature, contribuem para a compreensão dos processos fisiológicos da interação entre exercício e fome.

“Foi comprovado que o exercício regular ajuda na perda de peso, regula o apetite e melhora o perfil metabólico, especialmente para pessoas com sobrepeso e obesidade”, disse Yong Xu, um dos autores do estudo e professor de nutrição em pediatria e biologia molecular e celular da universidade Baylor. “Se pudermos entender o mecanismo pelo qual o exercício desencadeia esses benefícios, estaremos mais perto de ajudar muitas pessoas a melhorar sua saúde.”

“Queríamos entender como o exercício funciona no nível molecular para poder capturar alguns de seus benefícios”, disse Jonathan Long, também autor do estudo e professor assistente de patologia na Stanford Medicine. “Por exemplo, pessoas mais velhas ou frágeis que não podem se exercitar o suficiente podem um dia se beneficiar de tomar um medicamento que pode ajudar a retardar a osteoporose, doenças cardíacas ou outras condições.”

O principal experimento foi feito com cobaias. Após submeterem camundongos a intensa corrida em esteira, os cientistas analisaram amostras de sangue para detectar substâncias que poderiam despertar interesse. A molécula que mais chamou a atenção foi a Lac-Phe, um aminoácido sintetizado a partir do lactato (produto do metabolismo da glicose gerado a partir de exercícios extenuantes e responsável pela sensação de queimação nos músculos) e da fenilalanina (aminoácido que faz parte da constituição de proteínas).

A molécula foi isolada e dada a cobaias com obesidade induzida por uma dieta rica em gordura. Depois de dez dias, elas apresentaram uma queda de aproximadamente 50% na ingestão de alimentos em comparação aos animais que não receberam a substância. Verificou-se que uma enzima associada à produção de Lac-phe contribuiu para maior perda de peso.

A equipe também encontrou mudanças nos níveis plasmáticos de Lac-Phe em cavalos de corrida e humanos após atividades físicas. Em humanos, dados mostraram que os exercícios aeróbicos e de resistência induziram um aumento significativo nos níveis da molécula. “Isso sugere que o Lac-Phe é um sistema antigo e conservado que regula a alimentação e está associado à atividade física em muitas espécies animais”, disse Long.

“Nossos próximos passos incluem encontrar mais detalhes sobre como o Lac-Phe influencia os efeitos no corpo, incluindo o cérebro”, afirmou o professor Xu. “Nosso objetivo é aprender a modular essa via de exercício para intervenções terapêuticas”.

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