Assine VEJA por R$2,00/semana
Continua após publicidade

Qual é a hora certa de comer?

Um novo campo de estudos investiga a relação entre o relógio biológico e a forma como o corpo aproveita os nutrientes

Por Giulia Vidale Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO Atualizado em 4 jun 2024, 13h18 - Publicado em 30 jul 2021, 06h00

“Se você comer tarde da noite ou começar o café da manhã em um horário totalmente diferente a cada manhã, estará constantemente deixando seu corpo fora de sincronia. Não se preocupe, a solução é igualmente simples: basta definir uma rotina alimentar e cumpri-la. Tempo é tudo”, escreveu Satchin Panda, um dos maiores especialistas do mundo em ritmos circadianos, no best-seller The Circadian Code: Lose Weight, Supercharge Your Energy, and Transform Your Health from Morning to Midnight.

É recomendação baseada no princípio da chamada crononutrição, uma área relativamente nova da ciência e que nos últimos anos ganhou tração inédita. Ela investiga o modo pelo qual o relógio biológico, ou ritmo circadiano, influencia o aproveitamento dos nutrientes que ingerimos. O que foi levantado até agora demonstra que quando comer é tão importante quanto o que comer. Tome-se como exemplo o mais recente estudo divulgado. Feito por pesquisadores da Universidade Waseda, no Japão, e publicado no início de julho na revista Cell Reports, o trabalho buscou esclarecer se consumir a maior parte da quantidade diária recomendada de proteínas no café da manhã, em vez de fazê-lo no jantar, resultaria em maior massa muscular. A resposta: sim. A hipótese é que, pela manhã, o metabolismo de proteínas é mais eficiente, contribuindo para o aumento do volume muscular.

arte hora certa de comer

Outras pesquisas indicam que a digestão e a absorção de carboidratos e de gorduras também variam de acordo com o relógio interno. “Os alimentos são processados de modos distintos dependendo do horário em que os consumimos”, afirma a nutróloga Marcella Garcez, diretora da Associação Brasileira de Nutrologia. Os horários das refeições, enfim, têm grande influência no ganho e na perda de peso e no risco do desenvolvimento de condições como diabetes e doenças cardiovasculares.

Continua após a publicidade

Determinados hormônios, enzimas e o sistema digestivo estão preparados para a ingestão de alimentos pela manhã e à tarde, quando o organismo precisa de energia para dar conta das tarefas cotidianas. À noite, o que ele necessita é descanso. Por isso o sistema endócrino regula o sobe e desce de hormônios ao longo da vigília e do sono de forma a sincronizar produção e hora. Pela manhã, os níveis de cortisol e de insulina estão no máximo. Os dois hormônios atuam em conjunto para facilitar o armazenamento de energia. O cortisol contribui para a fabricação de insulina, responsável por permitir a entrada da glicose circulante no sangue dentro das células. O metabolismo, ou capacidade de queimar calorias, também é maior. À noite, o corpo se prepara para o relaxamento. A liberação da insulina diminui, o cortisol dá lugar à melatonina, hormônio que induz ao sono, e o metabolismo fica mais lento. Os compassos são precisos. “Mudanças na rotina alimentar podem levar a alterações que prejudicam a saúde”, diz o geneticista Marcelo Sady, diretor do laboratório Multigene. A sinfonia do corpo humano pede harmonia.

Publicado em VEJA de 4 de agosto de 2021, edição nº 2749

Publicidade

Matéria exclusiva para assinantes. Faça seu login

Este usuário não possui direito de acesso neste conteúdo. Para mudar de conta, faça seu login

Domine o fato. Confie na fonte.

10 grandes marcas em uma única assinatura digital

MELHOR
OFERTA

Digital Completo
Digital Completo

Acesso ilimitado ao site, edições digitais e acervo de todos os títulos Abril nos apps*

a partir de R$ 2,00/semana*

ou
Impressa + Digital
Impressa + Digital

Receba Veja impressa e tenha acesso ilimitado ao site, edições digitais e acervo de todos os títulos Abril nos apps*

a partir de R$ 39,90/mês

*Acesso ilimitado ao site e edições digitais de todos os títulos Abril, ao acervo completo de Veja e Quatro Rodas e todas as edições dos últimos 7 anos de Claudia, Superinteressante, VC S/A, Você RH e Veja Saúde, incluindo edições especiais e históricas no app.
*Pagamento único anual de R$96, equivalente a R$2 por semana.

PARABÉNS! Você já pode ler essa matéria grátis.
Fechar

Não vá embora sem ler essa matéria!
Assista um anúncio e leia grátis
CLIQUE AQUI.