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Por que o pico do coronavírus no Brasil mudou para maio e junho?

Recentemente, o ministro da Saúde Luiz Henrique Mandetta afirmou que maio e junho será o período mais preocupante da epidemia no país

Por Giulia Vidale Atualizado em 27 abr 2020, 18h18 - Publicado em 14 abr 2020, 15h38

De acordo com o ministro da Saúde Luiz Henrique Mandetta, o período mais preocupante da crise da Covid-19, doença causada pelo novo coronavírus, será entre maio e junho. “Maio e junho serão, realmente, os nossos meses mais duros. A gente tem diferentes realidades. O Brasil a gente não pode comparar com um país pequeno, como é a Espanha, como é a Itália, a Grécia, Macedônia e até a Inglaterra. Nós somos o próprio continente. Serão dias duros”, disse em entrevista ao Fantástico no último domingo 12.

Antes, a estimativa era que o pico dos casos de coronavírus ocorresse entre abril e maio. Mas por que essa mudança? A principal explicação para a alteração é a eficácia das medidas de isolamento social.

“A hipótese que todos comentamos é que o isolamento social quebrou ciclos de transmissão e fez com que o crescimento de casos ficasse mais lento, postergando o pico e, provavelmente, reduzindo sua intensidade. É o efeito proposto pelas autoridades sanitárias desde a instituição destas medidas.”, explica o infectologista Renato Grinbaum, da Sociedade Brasileira de Infectologia.

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O infectologista Julio Croda, pesquisador da Fiocruz e professor da Universidade Federal do Mato Grosso do Sul, vai além e acredita que não haverá pico. “Os estados estão mantendo uma taxa de isolamento social acima de 50%. Se pegarmos apenas os casos de srag (sigla para síndrome aguda respiratória grave), vê-se claramente a diminuição dos casos e achatamento da curva. O aumento vinha em uma curva exponencial e agora está mais próxima de uma linha horizontal. Dessa forma, há uma diluição dos casos da doença ao longo do tempo e não há um pico tão claro.”, afirma o especialista.

Vale ressaltar que os meses de maio e junho têm um um fator extra para aumentar a preocupação das autoridades de saúde. É nesse período que há maior incidência de casos de doença respiratória em geral. “Desde 2010, o pico das síndromes respiratórias acontece em maio”, diz Croda. Por outro lado, o distanciamento social também ajuda a reduzir infecção por outros vírus que causam doença respiratória, como o influenza. “Até as outras doenças respiratórias estão diminuindo. É um impacto muito importante que estamos observando.”, ressalta o especialista. 

Apesar da desaceleração e do sucesso das medidas adotadas até o momento, é fundamental que elas sejam mantidas. Os resultados obtidos até agora não indicam que o distanciamento social possa ser relaxado. Pelo contrário. “Houve uma desaceleração dessa curva de crescimento graças às medidas de isolamento. Mas isso não significa um controle da doença. Se essas medidas forem interrompidas, rapidamente as transmissões aumentam e os esforços até o momento serão perdidos porque o vírus ainda está circulando.”, explica Croda.

A única forma de acabar com a epidemia de forma rápida é por meio de uma vacina ou de algum medicamento que seja capaz de prevenir a infecção pelo vírus. O que não deve acontecer nos próximos meses, apesar da velocidade inédita no desenvolvimento de um imunizante e dos esforços mundiais. “Os melhores modelos estimam que 60% a mais de 90% da população vai adquirir o vírus, a depender da adoção das medidas sanitárias corretas. Como ainda não existe vacina, não tem como impedir completamente que as pessoas se infectem.”, diz o infectologista Gerson Salvador, especialista em saúde pública pela Faculdade de Saúde Pública da USP.

“Essa é uma epidemia dinâmica, que depende do que a sociedade faz. As nossas projeções são concretizadas ou não a depender do que a população faz em relação a adoção de medidas preventivas.”, finaliza Croda.

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