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Medicamentos e suplementos de cúrcuma podem trazer riscos; entenda

Autoridades sanitárias investigam relatos de dano ao fígado ligados a suplementos e extratos concentrados da substância

Por Victória Ribeiro Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 9 mar 2026, 17h37 • Atualizado em 10 mar 2026, 10h32
  • Também conhecida como açafrão-da-terra, a cúrcuma saiu da cozinha e ganhou espaço nas prateleiras de farmácias e lojas de suplementos. Promovida como aliada contra inflamação, dor e até para melhorar a saúde metabólica, a substância passou a ser consumida em cápsulas e extratos concentrados. Mas o uso desses produtos não é totalmente isento de risco.

    A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) divulgou um alerta para medicamentos e suplementos alimentares que contêm cúrcuma. O comunicado se baseia em investigações internacionais que identificaram casos raros, porém graves, de inflamação e danos ao fígado associados ao uso dessas formulações.

    Segundo a agência, os relatos de toxicidade hepática foram observados principalmente em produtos com extratos concentrados ou tecnologias que aumentam a absorção da curcumina — o principal composto ativo da cúrcuma — em níveis muito superiores aos obtidos na alimentação habitual.

    Agências reguladoras da Itália, Austrália, Canadá e França também emitiram alertas após registrarem episódios de lesão hepática associados ao uso de suplementos contendo cúrcuma. Em alguns casos, produtos foram retirados do mercado ou passaram a exigir avisos de segurança nos rótulos.

    Na França, a Agence nationale de sécurité sanitaire de l’alimentation, de l’environnement et du travail (ANSES) identificou uma série de relatos de efeitos adversos. Entre os eventos descritos estão casos de hepatite associados ao consumo de suplementos à base de cúrcuma ou curcumina.

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    Diferença entre alimento e suplemento

    A Anvisa ressalta que o alerta não se refere ao uso culinário da cúrcuma. A especiaria utilizada no preparo de alimentos, em quantidades habituais da dieta e sem exageros, é considerada segura e não há evidências de riscos.

    A preocupação está nas formulações concentradas presentes em cápsulas e medicamentos, que podem conter doses mais altas da substância. Além disso, algumas formulações utilizam tecnologias que aumentam a absorção da substância pelo organismo, o que faz com que níveis mais altos cheguem à corrente sanguínea.

     

     

    Avaliação médica

    A agência orienta que consumidores e profissionais de saúde fiquem atentos a sinais que podem indicar possível lesão hepática durante o uso desses produtos. Entre os sintomas que exigem avaliação médica estão:

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    • Pele ou olhos amarelados (icterícia)
    • Urina escura
    • Cansaço intenso sem causa aparente
    • Náuseas e dor na região abdominal

    Como medida preventiva, a Anvisa determinou a atualização, com avisos de segurança, das bulas dos medicamentos Motore e Cumiah. “No caso dos suplementos, será iniciado processo para a reavaliação do uso dessas substâncias e também será exigida a inclusão de advertências obrigatórias sobre a possibilidade de efeitos adversos nos rótulos dos produtos”, escreveu a Anvisa.

     

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