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Leptospirose: número de mortos sobe para 13 e RS confirma 242 casos

Estado afetado por enchentes tem 3.658 casos da doença notificados e investiga sete óbitos; primeiro episódio de hepatite A foi confirmado

Por Paula Felix Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO Atualizado em 5 jun 2024, 17h28 - Publicado em 5 jun 2024, 08h10

O número de mortes por leptospirose relacionadas às enchentes que afetam o estado desde o fim de abril subiu para 13 e o estado confirmou o primeiro caso de hepatite A, segundo novo boletim da Secretaria Estadual da Saúde do Rio Grande do Sul divulgado na noite desta terça-feira, 4. O balanço da pasta informa que foram registradas 3.658 notificações da doença e que 242 casos foram confirmados. Há sete óbitos em investigação. Uma projeção do Ministério da Saúde aponta que os episódios da infecção causada pelo contato com água contaminada por urina de ratos podem chegar a 1.600.

Duas mortes pela infecção causada pelo contato com água contaminada por urina de animais, principalmente ratos, ocorreram em Porto Alegre. As demais foram em Alvorada, Cachoeirinha, Canoas, Encantado, Novo Hamburgo, São Leopoldo, Sapucaia do Sul, Travesseiro, Três Coroas, Venâncio Aires e Viamão.

Todas as vítimas eram do sexo masculino na faixa etária dos 30 aos 69 anos. Seis mortes foram de pacientes entre 50 e 59 anos. Os dados foram coletados entre 1º de maio e 4 de junho.

Ainda segundo a secretaria, outras ocorrências de saúde relacionadas aos alagamentos foram registradas: um episódio confirmado de tétano acidental e quatro notificações, um caso de hepatite A e 17 notificações, 985 acidentes antirrábicos com cães e gatos e 88 com outros animais, 455 acidentes com animais peçonhentos e sete surtos de diarreia aguda que resultaram em 92 pessoas afetadas.

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Mortes por leptospirose

A primeira morte por leptospirose relacionada aos alagamentos no Rio Grande do Sul foi confirmada na noite do dia 20 pela Secretaria Estadual da Saúde. O paciente era um homem de 67 anos que morava no município de Travesseiro, na região do Vale do Taquari, que apresentou os primeiros sintomas no dia 9 e morreu no dia 17.

A doença já circula no território do Rio Grande do Sul, e, do início do ano até 19 de abril, foram registrados 129 casos e seis óbitos. No ano passado, foram 477 registros e 25 mortes.

Entenda a leptospirose

Causada pela bactéria leptospira, a leptospirose é contraída por meio do contato direto com a urina de animais infectados ou com água ou lama contaminadas, como ocorre em enchentes. Os sintomas costumam aparecer entre 5 e 14 dias após a contaminação, mas podem se manifestar em um período de até 30 dias.

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A pessoa deve buscar atendimento médico ao apresentar sintomas como febre, dores no corpo e na cabeça, fraqueza e calafrios. No caso das dores, é importante ficar atento especialmente se elas atingirem a panturrilha, popularmente chamada de “batata da perna”.

O tratamento costuma ser feito com antibióticos, mas, se houver agravamento do caso, a internação é indicada para evitar complicações. Segundo o Ministério da Saúde, em episódios mais graves, o risco de morte pode chegar a 40%.

Cuidados para evitar a doença

Segundo a Sociedade Brasileira de Patologia Clínica e Medicina Laboratorial (SBPC/ML), mesmo quando o nível da água baixar, será necessário adotar medidas de proteção em locais que tenham sido atingidos pelas enchentes, principalmente ao fazer a higienização deles. Isso porque a bactéria lepstopira pode viver por cerca de seis meses no ambiente.

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A orientação é utilizar botas e roupas impermeáveis, além de luvas. Também é recomendado evitar o contato com a água represada nos pontos de alagamento.

“A bactéria pode penetrar no corpo através da pele ou mucosas como nariz e boca, facilitando a disseminação da doença”, disse, em nota, Andre Doi, patologista clínico e diretor científico da entidade.

Para a desinfecção dos ambientes, a Secretaria de Estado da Saúde do Rio Grande do Sul indica o uso de água sanitária (hipoclorito de sódio a 2,5%) na proporção de um copo de água sanitária para um balde de 20 litros de água.

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“Outras medidas de prevenção são manter os alimentos guardados em recipientes bem fechados, manter a cozinha limpa sem restos de alimentos, retirar as sobras de alimentos ou ração de animais domésticos antes do anoitecer, manter o terreno limpo e evitar entulhos e acúmulo de objetos nos quintais. Isso ajuda a evitar a presença de roedores”, completa.

Enchentes e outras doenças

A situação crítica do estado abre espaço para outras infecções e proliferação de doenças. Além da leptospirose, episódios de hepatite A, diarreias, tétano, febre tifoide, cólera e verminoses podem afetar a população atingida.

Assim como a água, alimentos podem ser responsáveis pelas infecções. “Não consuma alimentos que tenham tido contato com a água da inundação ou lama, incluindo alimentos embalados, enlatados ou alimentos perecíveis, como frutas, legumes e verduras”, alertou, em nota, o Ministério da Saúde.

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Guias orientam sobre doenças causadas por tragédias climáticas

Doença causada pelo contato com água contaminada pela urina de animais, principalmente ratos, infectados com uma bactéria, a leptospirose está entre as principais preocupações de especialistas em saúde pública. Diante do quadro de enfermidades variadas que podem acometer a população, a Sociedade Brasileira de Infectologia (SBI) lançou guias em parceria com outras entidades médicas com orientações sobre como evitar infecções em desastres climáticos e também em abrigos.

No guia de manejo, há explicações detalhadas sobre doenças que podem ser transmitidas por água contaminada, como cólera, hepatite A e leptospirose, doenças respiratórias e também condições causadas por vetores, caso da dengue e da febre amarela.

O documento foi elaborado por meio de uma força-tarefa que envolveu representantes de entidades médicas gaúchas, que mapearam os principais riscos em situações de grandes enchentes, incluindo os acidentes com animais peçonhentos e materiais cortantes — esses últimos podem levar a casos de tétano.

“Havia uma nítida carência de diretrizes técnicas, e muitas eram as doenças que potencialmente poderiam acometer a população gaúcha, sobretudo aquela mais exposta a risco: os socorristas e as pessoas resgatadas”, diz trecho do documento assinado por Alessandro Comarú Pasqualotto, presidente da Sociedade Gaúcha de Infectologia, e Fabrizio Motta, chefe do Controle de Infecção e Infectologia Pediátrica da Santa Casa de Porto Alegre.

Outro guia traz recomendações sobre higiene das mãos, roupas e dos abrigos como um todo, medidas de segurança alimentar e as enfermidades que costumam causar surtos em locais que concentram os desabrigados, como pneumonia, tuberculose, diarreias e problemas que afetam a pele e o couro cabeludo, como infestações por piolhos e outros parasitas.

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