Clique e Assine por somente R$ 2,50/semana

Inscritos no Mais Médicos superam total de vagas, e governo desconfia

Ministério da Saúde não descarta a hipótese de médicos contrários ao programa estarem se inscrevendo para, depois, desistir das vagas e atrasar a vinda de profissionais estrangeiros

Por Da Redação 18 jul 2013, 15h43

Até esta quarta-feira, o número de inscritos no programa Mais Médicos do governo federal, que pretende levar profissionais para cidades do interior do país, já tinha superado o número de vagas oferecidas, que é de 10.400, chegando a 11.700 candidatos. O número acima do esperado pelo Ministério da Saúde levou o ministro Alexandre Padilha a determinar que o órgão telefone a todos os candidatos que já têm algum outro tipo de vínculo empregatício para checar a veracidade do interesse pelo programa.

Segundo Padilha, a suspeita surgiu há uma semana, quando o ministério começou a receber denúncias de que médicos estariam se organizando pelas redes sociais para fazer inscrições mesmo sem interesse e depois desistirem do posto, apenas para perturbar o processo. A estratégia dos médicos seria atrasar a importação de profissionais estrangeiros, que serão convocados para as vagas que não forem preenchidas pelos brasileiros. O Conselho Federal de Medicina (CFM), por meio da assessoria, afirmou desconhecer qualquer movimentação contra o Mais Médicos. Afirmou ainda que não partiu do CFM nenhum comando para que inscrições fossem feitas em massa para posterior descredenciamento.

Leia também:

Universidades vão debater alteração no curso de medicina

USP pede que MP dos Médicos seja retirada de pauta

O ministro da Saúde pediu que a Polícia Federal acompanhe a movimentação. A PF, no entanto, afirma que o pedido – que precisa ser feito do Ministério da Saúde para o Ministério da Justiça – ainda não chegou, mas como vários consultas foram feitas, os policiais estariam monitorando as inscrições. “Desde segunda, o Ministério da Saúde, através da sua Ouvidoria, está ligando para médicos que se pré-inscreveram e que já têm outros vínculos, como residência médica, para perguntar se realmente querem participar do programa”, diz Padilha. “Estamos estimulando os médicos brasileiros a participar do programa, mas não queremos ninguém que esteja fazendo qualquer tipo de sabotagem para atrasar um programa tão sério que visa oferecer médicos para a população brasileira.”

O programa – Pelo Mais Médicos, o ministério pretende pagar salários de R$ 10.000 aos profissionais e colocá-los em cidades que hoje têm vagas sobrando e não conseguem contratar ninguém. As prioridades são cidades do interior – hoje, 700 municípios do país não possuem nenhum médico – e as periferias das grandes cidades. A prioridade é para profissionais brasileiros interessados no programa, mas o governo prevê a contratação de estrangeiros para suprir as vagas não preenchidas por médicos nacionais, sem a necessidade de validação do diploma. Os estrangeiros fariam um curso simplificado de adaptação para que pudessem trabalhar apenas nos locais indicados pelo governo brasileiro.

O programa enfrenta enorme resistência da classe médica, contrária especialmente à contratação de estrangeiros. A classe alega que o problema da saúde no país é infraestrutura e não falta de profissionais especializados.

(Com Estadão Conteúdo)

Continua após a publicidade
Publicidade