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Estudo identifica quase 200 alimentos ligados a alergias em adultos; veja quais são

Estudo com mais de mil pacientes mostra que frutas, sementes e oleaginosas vão além do “big 8” e que mudanças climáticas podem influenciar reações alérgicas

Por Victória Ribeiro Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 12 jan 2026, 17h00
Estudo identifica quase 200 alimentos ligados a alergias em adultos; veja quais são Priorize VEJA no Google

Quando se fala em alergia alimentar, a conversa quase sempre gira em torno do chamado “big 8”: leite, ovo, trigo, soja, amendoim, oleaginosas, peixes e frutos do mar. Mas um estudo recém-publicado no Journal of Allergy and Clinical Immunology mostra que essa lista pode ir bem além.

Pesquisadores da Holanda analisaram dados de mais de mil adultos atendidos em um ambulatório especializado em alergias e encontraram algo que costuma ficar fora do radar: quase 200 alimentos diferentes foram associados a reações alérgicas, muitas delas moderadas ou graves.

A pesquisa analisou 1.085 pacientes adultos atendidos entre 2018 e 2023. Entraram no estudo pessoas que relataram sintomas até duas horas após consumir um alimento, um intervalo típico das alergias alimentares “clássicas”, aquelas em que o sistema imunológico reage rapidamente ao contato com o alimento.

Os médicos coletaram os dados a partir de um questionário padronizado, aplicado já na primeira consulta. Entraram na conta informações como alimento suspeito, tipo e gravidade dos sintomas, tempo de início da reação e necessidade de medicação de emergência.

Sempre que possível, os médicos confirmaram os relatos dos pacientes com exames usados justamente para identificar alergias, como testes feitos na pele ou exames de sangue.

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Quando havia tanto os sintomas quanto sinais claros de reação do sistema imunológico, o caso foi classificado como “alergia alimentar provável”. Já quando existia apenas o relato dos sintomas, sem confirmação por exame, a situação entrou como “alergia alimentar possível”.

A gravidade das reações foi organizada em uma escala que vai de sintomas leves, como coceira, até quadros graves, com dificuldade para respirar, queda de pressão ou alterações neurológicas.

Resultados

Ao todo, os pacientes relataram sintomas compatíveis com alergia alimentar após o consumo de 192 alimentos diferentes. Ainda assim, cerca de 80% dos relatos de sintomas se concentraram em 30 alimentos.

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Quem domina esse cardápio são os itens de origem vegetal. Quase 70% dos pacientes (68,8%) disseram ter apresentado sintomas após consumir frutas, seguidas por oleaginosas, como castanhas e nozes (63,0%), leguminosas, como amendoim e soja (39,5%), e vegetais (34,0%).

Entre os pacientes com possível alergia a frutas, a alergia à maçã foi a mais relatada (44,4%). “Cerca de um terço dos pacientes relatou sintomas de alergia a kiwi, avelã, noz ou amendoim; cerca de um quarto, à cereja; e um quinto, à amêndoa, pêssego ou pera”, escreveram os autores.

Sementes e caroços, grupo que inclui gergelim, pinhão e semente de girassol, aparecem menos vezes nos relatos (14,4%). Porém, quase 40% dos pacientes que reagiram a esses itens tiveram quadros mais sérios.

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Já peixes e crustáceos, tradicionalmente vistos como os grandes vilões das alergias alimentares, aparecem com uma frequência bem menor do que se imagina: 6,8% dos pacientes relataram sintomas após o consumo de peixes e 7,6% após o consumo de crustáceos.

Gravidade das reações

Quando o recorte é a gravidade das reações, o estudo mostra que sementes e caroços lideram o ranking, com 39,8% dos pacientes que reagiram a esse grupo apresentaram quadros graves. Na sequência aparecem os peixes (39,2%). Logo depois vêm leguminosas, oleaginosas e crustáceos, com cerca de um terço dos casos.

Esse cenário muda quando os pesquisadores olham para o número total de pessoas afetadas. Nesse caso, as reações graves foram mais comuns após o consumo de oleaginosas, leguminosas e frutas. Não necessariamente porque esses alimentos sejam mais perigosos, mas porque são os mais consumidos e, portanto, mais presentes na rotina alimentar.

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No caso das frutas, os autores também chamam atenção para as chamadas reações cruzadas. Eles explicam que algumas frutas têm proteínas parecidas com as encontradas em certos tipos de pólen. E com o aumento das alergias respiratórias e temporadas de pólen mais longas – fenômenos associados às mudanças climáticas – o sistema imunológico pode ficar mais sensibilizado, aumentando o risco de reações alérgicas.

Limitações

Os próprios autores fazem questão de colocar o pé no freio e apontar as limitações do trabalho. Nem todos os alimentos analisados contam com testes diagnósticos disponíveis e o estudo não incluiu testes de provocação oral, considerados o padrão-ouro para confirmar alergias alimentares.

Por isso, a mensagem não é sair cortando frutas, verduras ou outros alimentos importantes da dieta. Um sinal clássico de alergia alimentar verdadeira é quando a reação acontece sempre que a pessoa consome aquele alimento. Se os sintomas aparecem só de vez em quando, a chance de se tratar de uma alergia de fato é menor.

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Em resumo, o estudo não estabelece relações de causa e efeito nem substitui a avaliação médica individual. Ainda assim, oferece um panorama abrangente sobre a variedade de alimentos associados a reações alérgicas em adultos, especialmente aqueles que ficam fora do tradicional “big 8”. Para os autores, os dados ajudam a abrir caminho para estudos futuros, mais controlados e com confirmação diagnóstica mais robusta.

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