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Estudo busca relacionar tipo de sangue ao risco de contrair Covid-19

Análise de chineses, que é preliminar e tem limitações, sugere que pessoas do tipo A têm mais risco, enquanto as do grupo O, menos

Por Redação - Atualizado em 27 abr 2020, 17h43 - Publicado em 19 abr 2020, 22h43

Um estudo conduzido por pesquisadores chineses sugere que pessoas pertencentes ao tipo sanguíneo A são mais suscetíveis à infecção pelo novo coronavírus e apresentam mais risco de morte por Covid-19, enquanto pessoas do tipo O correm menos risco de contrair e morrer pela doença. Apresentado em 27 de março em uma plataforma de pré-impressão de estudos de saúde, o texto que busca relacionar os tipos de sangue ao risco para a doença é uma versão inicial e ainda não revisada, produto de uma análise que possui limitações, segundo os próprios autores. Eles ressaltam, portanto, que o material ainda não deve ser usado para orientar a prática clínica.

O método utilizado pelos pesquisadores, membros de cinco universidades chinesas, comparou a distribuição dos tipos sanguíneos entre a população das regiões de Wuhan e Shenzen, na China, com a distribuição por tipo sanguíneo entre 2.173 pessoas infectadas com Covid-19 nestas localidades.

Em Wuhan, onde a pandemia de coronavírus teve origem, o estudo constatou que, entre 3.694 pessoas sem a doença, 32,16% eram do tipo sanguíneo A, 24,9% eram do tipo B, 9,1% eram do tipo AB e 33,84% eram do tipo O. Analisando amostras de sangue de 1.775 pacientes com Covid-19 no Hospital Wuhan Jinyintan, o resultado foi de 37,75% do tipo A, 26,42% do tipo B, 10% do tipo AB e 25,8% do tipo O. No hospital da Universidade de Wuhan, onde 113 pacientes foram analisados, os dados do tipo A sugeriram um risco de infecção ainda maior do que no outro hospital, enquanto os relativos do tipo O indicam risco ainda mais reduzido.

Como a proporção de doentes do tipo A teve uma alta mais expressiva em relação à população local, enquanto os do tipo O ficaram abaixo da proporção da cidade, os pesquisadores concluíram que há “um risco significativamente aumentado do tipo sanguíneo A para COVID-19 e risco reduzido do tipo sanguíneo O para COVID-19”.

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Em Shenzen, onde 23.368 pessoas sem a doença foram analisadas, 28,7% da população pertence ao tipo A, exatamente a mesma proporção identificada entre as 285 pessoas com Covid-19 estudadas no Hospital do Terceiro Povo. A respeito do tipo O, no entanto, 38,7% da população têm sangue deste tipo, número que foi de 28,42% entre os infectados na cidade. “Esses resultados mostraram um risco significativamente menor de infecção associado ao tipo sanguíneo O”, diz.

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Entre 206 pacientes que haviam morrido de Covid-19, a proporção foi de 41,26% do tipo A, 24,27% do tipo B, 9,22% do tipo AB e 25,24% do tipo O. “O grupo sanguíneo A foi associado a um maior risco de morte em comparação aos grupos não A. Pelo contrário, o grupo sanguíneo O foi associado a um menor risco de morte em comparação aos grupos não O”, afirma o estudo.

Os cientistas, contudo, apontam sobretudo duas limitações ao estudo: o número de pacientes estudados nos hospitais de Wuhan e Shenzen era reduzido e por isso eles “podem não representar uma sólida análise de replicação”; e a falta de informações sobre doenças crônicas nos pacientes, que “podem afetar a gravidade da Covid-19”.

“Seria prematuro usar este estudo para orientar a prática clínica neste momento, mas deve-se incentivar uma investigação mais aprofundada da relação entre o grupo sanguíneo ABO e a suscetibilidade à Covid-19”, afirmam.

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