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Covid-19: África do Sul decide suspender vacina de AstraZeneca e Oxford

Estudo evidencia indícios de que vacina não seja eficaz para evitar casos leves de cepa do vírus; remessa com um milhão de doses chegou ao país no dia 1°

Por Felipe Mendes Atualizado em 17 mar 2021, 12h03 - Publicado em 7 fev 2021, 18h07

A África do Sul decidiu tomar uma medida drástica. O ministro da Saúde do país, Zweli Mkhize, anunciou neste domingo, 7, que irá suspender o uso do imunizante desenvolvido em parceria pela Universidade de Oxford a farmacêutica AstraZeneca. Segundo um estudo clínico, a vacina, que também é aplicada no Brasil, não demonstrou eficácia suficiente para conter doenças leves e moderadas da variante do coronavírus 501Y.V2, identificada pela primeira vez no país africano. O anúncio pode abalar a esperança de imunização contra a enfermidade pelo mundo, uma vez que a vacina de Oxford e AstraZeneca é a principal aposta da Covax Facility, um consórcio global de imunizantes capitaneado pela Organização Mundial da Saúde, a OMS.

Segundo a pesquisa obtida pelo jornal americano Financial Times, o antígeno não apresenta proteção suficiente contra doenças leves e moderadas causadas pela variante sul-africana da enfermidade. O levantamento monitorou cerca de 2.000 pacientes, a maioria jovens e saudáveis. Ninguém morreu, mas o estudo comprovou que a eficácia da vacina foi reduzida contra a variante dominante na África do Sul. “Um regime de duas doses da vacina não mostrou proteção contra a Covid-19 leve ou moderada devido à variante sul-africana”, diz um trecho do estudo, que ainda será divulgado. Em fase final, a pesquisa mostrará ainda se a taxa de eficácia para proteger casos graves da enfermidade, com hospitalizações e mortes, também regrediu.

O governo sul-africano pretendia distribuir o imunizante da AstraZeneca aos profissionais de saúde em breve. No último dia 1º, um milhão de doses produzidas pelo Instituto Serum, da Índia, chegaram ao país. Em vez disso, Mkhize afirmou que usará antígenos desenvolvidos pelas farmacêuticas Janssen, do grupo Johnson & Johnson, e Pfizer nas próximas semanas, enquanto os cientistas consideram como utilizar os imunizantes desenvolvidos pela AstraZeneca e Universidade de Oxford.

  • Em entrevista à BBC, a professora Sarah Gilbert, pesquisadora-chefe do Programa de Desenvolvimento de Vacinas de Oxford, disse que está esperançosa de que o imunizante ainda se mostre eficaz na prevenção de doenças graves. “O que estamos vendo de outros desenvolvedores de vacinas é que eles têm uma redução na eficácia contra alguns dos vírus variantes”, disse ela. “Mesmo que o imunizante não esteja reduzindo o número total de casos, ainda é possível ter proteção suficiente para evitar mortes, hospitalizações e doenças graves.”

    O problema pode ir além da vacina fabricada por Oxford e AstraZeneca. Isso porque a cepa oriunda da África do Sul já havia se mostrado mais resistente a outros imunizantes. Tanto a farmacêutica Janssen, do grupo Johnson & Johnson, como a Novavax apresentaram taxas de eficácia menores em relação a variante sul-africana, como mostrou VEJA. Em busca de obter novos resultados, a Moderna anunciou que vai testar uma vacina reformulada para tentar reduzir os efeitos causados pela cepa. O antígeno desenvolvido em parceria por Pfizer e BioNTech, por sua vez, não publicou resultados de testes contra a variante.

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