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Coronavírus: resposta imune das mulheres é mais eficiente, diz estudo

Pesquisa feita pela Universidade Yale traz uma nova pista sobre por que a Covid-19 é mais grave em homens do que mulheres

Por Da Redação - Atualizado em 27 ago 2020, 12h09 - Publicado em 27 ago 2020, 11h54

Desde o começo da pandemia, uma característica intriga os cientistas: homens têm maior probabilidade de desenvolverem formas graves da Covid-19 e de morrerem em decorrência da doença. Um crescente corpo de evidências começa a desvendar esse mistério.

A mais nova pista sobre o assunto mostrou que a resposta imune das mulheres é mais eficaz que a dos homens. Pesquisadores da Universidade Yale, nos Estados Unidos, analisaram 98 pacientes, sendo 47 homens e 51 mulheres, e concluíram que os homens desenvolvem uma ativação muito mais fraca das células T, cujo trabalho é matar as células infectadas por vírus e impedir a propagação da infecção.

Esse atraso estava relacionado ao grau de doença nos homens. Além disso, quanto mais velho o homem, mais fraca foi a resposta dessas células. Essa característica não foi encontrada nas mulheres.

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No trabalho, publicado quarta-feira na revista científica Nature, os pesquisadores, incluindo uma brasileira que faz parte da equipe, examinaram as respostas imunológicas de 17 homens e 22 mulheres hospitalizados com Covid-19. Nenhum destes pacientes estava intubado ou tomando medicamentos que afetam o sistema imunológico. Seus resultados foram comparados com o de outras 59 pessoas saudáveis. Todos foram submetidos a exames de sangue, RT-PCR, saliva, urina e fezes a cada três a sete dias.

Os resultados mostraram que todos os doentes tinham níveis elevados de citocinas no sangue, proteínas que estimulam o sistema imunológico a agir. Alguns tipos de citocinas, chamadas interleucina-8 e interleucina-18, estavam elevadas em todos os homens, mas apenas em algumas mulheres. Mulheres que tinham níveis elevados de outras citocinas ficaram mais gravemente doentes, descobriram os pesquisadores.

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As citocinas são um marcador inflamatório. A famosa “tempestade de citocinas” acontece quando à uma produção exagerada dessas substâncias, que pode piorar o quadro e levar à morte.

Vale ressaltar que o estudo tem suas limitações. Além do pequeno número de pacientes incluídos, a idade avançada dos participantes pode ter interferido nos resultados. “Sabemos que a idade está provando ser um fator muito importante nos resultados da Covid-19, e a interseção de idade e sexo deve ser explorada”, disse Sabra Klein, especialista em vacinas da Escola de Saúde Pública Johns Hopkins Bloomberg, ao The New York Times.

O estudo também não chega a uma causa que explique o porquê dessa diferença na produção de células T. Normalmente, as mulheres têm melhor resposta imunológica devido à quantidade do hormônio feminino estrogênio, que favorece o sistema de defesa do corpo. Por outro lado, a testosterona, abundante nos homens, inibe essa resposta.

No entanto, a maioria das participantes do estudo já estavam na menopausa. Nessa fase da vida, há uma queda significativa nos níveis do hormônio feminino. De qualquer forma, a nova descoberta é mais uma peça nesse quebra-cabeça. “As respostas de células T mais robustas em mulheres mais velhas podem ser uma pista importante para a proteção e devem ser exploradas mais a fundo.”, ressaltou Klein, ao The New York Times.

Além disso, a descoberta pode ter implicações para a vacina, pois indica que homens, em especial idosos, podem depender mais da imunização para se proteger da infecção.

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