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Coronavírus: Por que o Ministério não recomenda cloroquina em casos leves

Eles defendem que os casos graves estariam em outro patamar nos quais "os benefícios superam os riscos"

Por Da Redação - Atualizado em 8 abr 2020, 11h40 - Publicado em 7 abr 2020, 19h50

Em entrevista coletiva nesta terça-feira, 7, técnicos do Ministério da Saúde explicaram as razões por que o uso da cloroquina e hidroxicloroquina não foi liberado pela pasta para o tratamento de pacientes que ainda apresentem quadros leves da infecção pelo novo coronavírus.

Denizar Vianna, secretário de Ciência, Tecnologia e Insumos, explicou que há importantes pesquisas acerca destas duas substâncias, justamente por terem diversos aspectos conhecidos, como as ações no corpo humano e seus efeitos adversos. “São medicamentos análogos, o que muda na hidroxicloroquina é a adição de um radical, que no uso a longo prazo pode reduzir a toxicidade, mas no curto prazo (que é o que está previsto no tratamento para Covid-19) não vai ter tanto efeito”, explicou.

A preocupação em tratamentos mais ligeiros, segundo ele, é o potencial dos remédios em gerar arritmias cardíacas. “O coração é uma bomba que depende da ativação de um sistema elétrico próprio. Esses medicamentos podem produzir o prolongamento de uma das fases elétricas do coração e propiciar um ambiente favorável a uma arritmia que pode ser potencialmente fatal”, detalhou.

Vianna explica que essa preocupante possibilidade deve ser amplamente acompanhada. Para isso, o paciente cotado para o uso do remédio teria de passar por eletrocardiograma, onde seria medido se há risco do desenvolvimento do problema cardíaco e, após tomar o medicamento, seguir em acompanhamento médico. Tudo isso dentro do ambiente hospitalar onde seria possível monitorar toda a evolução do paciente, conforme informaram os especialistas da pasta.

Sobre o uso experimental em todas as gravidades de Covid-19, inclusive as leves, ele afirmou que ainda faltam dados para embasar a decisão. No caso dos pacientes graves — para os quais o Ministério da Saúde já liberou a droga — “os benefícios superam os riscos”. “Estamos lidando com pacientes com potencial de letalidade muito alto”, pontuou.

Já os casos leves, que representariam o total de 80% dos infectados totais, ainda não contam com pesquisas médicas “robustas o suficiente” para gerarem uma política de saúde própria e, portanto, não seria possível traçar uma análise dos benefícios adquiridos diante dos riscos resultantes do uso da substância. “Vamos recomendar quando tivemos evidências que serão geradas, inclusive, em estudos brasileiros”, disse ele que afirmou monitorar seis ensaios clínicos do país que detalham o uso de cloroquina ou hidroxicloroquina.

Vianna ainda alinhou sua fala com o que o Ministro Luiz Henrique Mandetta pontuou no início na reunião. Esse posicionamento do Ministério da Saúde não impede cada médico de, individualmente, prescrever o remédio para seu paciente após medir os “riscos e benefícios” e comunicá-los à pessoa em tratamento. Mandetta chegou a dizer que o Ministério não “reteria” receitas de ninguém.

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