Conheça o primeiro remédio aprovado no mundo para tratar a apneia do sono
Ele também é prescrito para o tratamento da obesidade e do diabetes. Entenda como funciona e ajuda a superar o distúrbio por trás de roncos
O tratamento da apneia obstrutiva do sono, distúrbio que afeta ao redor de um terço da população, agora conta com um medicamento. E é ninguém mais, ninguém menos que o Mounjaro, a caneta de aplicação semanal à base de tirzepatida já utilizada para controle do diabetes tipo 2 e perda de peso.
A nova indicação foi aprovada pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) no Brasil e por outros órgãos regulatórios mundo afora após a conclusão de estudos comprovando seu efeito na redução dos episódios de apneia do sono e em sua gravidade.
A apneia é caracterizada por roncos e suspensões temporárias na respiração durante o sono. O indivíduo sofre microdespertares, muitas vezes imperceptíveis, e o déficit de oxigênio coloca o organismo em apuros, ameaçando, com o tempo, o coração, o cérebro e a qualidade de vida.
A principal pesquisa a demonstrar os benefícios do Mounjaro para essa condição, frequentemente associada à obesidade e ao envelhecimento, avaliou 469 pessoas acima do peso com diagnóstico de apneia de moderada a grave.
Parte delas utilizava o CPAP, aparelho que, por meio de uma máscara conectada ao rosto, restabelece o fluxo de oxigênio durante o sono; outra parte, não. Os voluntários foram sorteados para receber uma dose semanal de tirzepatida (10 ou 15 mg) ou o placebo, injeções sem o princípio ativo, para fins de controle.
Os pesquisadores acompanharam essa turma toda, registrando o número de vezes por hora em que os indivíduos paravam de respirar pra valer ou respiravam superficialmente enquanto dormiam. Ao comparar os dois grupos, descobriram que os usuários do Mounjaro obtiveram uma redução na ordem de 60% na gravidade da apneia do sono.
Segundo o ensaio clínico, no grupo sem o CPAP que tomou tirzepatida o número de bloqueios da respiração à noite caiu em 25 eventos por hora, ante apenas cinco no grupo placebo. Na parcela que utilizava CPAP, o benefício foi ainda maior: queda de 30 eventos por hora, ante cinco com o placebo.
Além disso, as pessoas que empregaram a medicação tiveram uma redução de 18 a 20% do peso, em média.
“O medicamento não apenas ajuda as pessoas a respirar melhor durante o sono como traz ganhos para o dia a dia: menos sonolência e inclusive menor risco cardiovascular”, afirma o endocrinologista Carlos Eduardo Barra Couri, pesquisador da USP de Ribeirão Preto.
E qual é o mecanismo de ação que justifica esse efeito? Enquanto os especialistas investigam nos detalhes, duas hipóteses principais sobressaem. “A tirzepatida oferece uma abordagem dupla: ela permite diminuir o peso e a gordura corporal e minimizar a inflamação a que o corpo está exposto, o que também se reflete em melhora do tônus muscular nas vias aéreas durante o sono”, diz Couri.
Assim surgiu um novo integrante para o arsenal terapêutico de uma condição que, em variados graus de severidade, já afeta quase 1 bilhão de pessoas pelo mundo.






