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Condições associadas ao autismo podem atrapalhar diagnóstico correto

Problemas que acompanham o transtorno, como o TDAH e dificuldades de audição, são frequentes e podem ser confundidos com a doença

Uma pessoa com autismo pode estar mais propensa a ter outras condições, como o transtorno de déficit de atenção e de hiperatividade (TDAH) e dificuldades de aprendizagem. Entretanto, segundo concluiu um estudo publicado no periódico Pediatrics, essa associação pode ser responsável por comprometer ou retardar o diagnóstico correto do autismo.

CONHEÇA A PESQUISA

Título original: Co-occurring Conditions and Change in Diagnosis in Autism Spectrum Disorders

Onde foi divulgada: periódico Pediatrics

Quem fez: Heather A. Close, Li-Ching Lee e Andrew W. Zimmerman

Instituição: Escola de Saúde Pública Johns Hopkins Bloomberg e Hospital Geral Infantil de Massachusetts, Estados Unidos

Dados de amostragem: 92.000 pais de jovens menores de 17 anos

Resultado: Um terço dos jovens diagnosticados com autismo demonstrou depois não ter o distúrbio.

Pesquisadores da Escola de Saúde Pública Johns Hopkins Bloomberg, em Baltimore, e do Hospital Geral Infantil de Massachusetts, ambos nos Estados Unidos, observaram as condições mais comuns entre jovens diagnosticados com autismo. Foram entrevistados 92.000 pais de adolescentes de até 17 anos entre 2007 e 2008. Eles responderam se algum médico já havia diagnosticado autismo em seus filhos e se eles tinham algum outro transtorno mental ou comportamental, como TDAH, dificuldade de aprendizado ou de fala, problemas de audição, ansiedade, depressão e desenvolvimento tardio.

Resultados – Ao todo, 1.366 dos pais afirmaram que seus filhos já haviam recebido diagnóstico de autismo, mas 453, ou seja, quase um terço desses jovens, não eram mais considerados como portadores do problema. Porém, os pesquisadores não souberam dizer se isso se deve a um primeiro diagnóstico errado ou a reais mudanças no cérebro do jovem. Esses adolescentes, entretanto, apresentaram maior probabilidade de ter dificuldades de audição do que aqueles que ainda tinham o diagnóstico de autismo, o que sugere que esse problema pode ter sido confundido com autismo em uma primeira avaliação médica.

Os pesquisadores também identificaram que crianças autistas com idades entre 3 e 5 anos eram mais propensas a ter problemas como dificuldades de aprendizado e desenvolvimento tardio do que crianças que já haviam recebido o diagnóstico de autismo mas não eram mais consideradas com o transtorno. Já entre as crianças de 6 a 11 anos com diagnóstico de autismo, havia maiores chances de incidência de problemas como ansiedade, problemas de fala e apreensão.

“Não é incomum ver uma criança que é diagnosticada com o autismo mais grave transformar o problema em mais moderado com o passar dos anos. Muitos dos jovens estão melhorando, mas nós não sabemos o real motivo”, afirmou à agência Reuters Andrew Zimmerman, um dos autores do estudo.

Para os pesquisadores, o estudo mostra como algumas condições que ocorrem junto ao autismo são frequentes, o que pode ajudar no diagnóstico precoce do problema. “Pensamos que o tratamento precoce é essencial e assim nós podemos melhorar essa condição das crianças autistas. Estou muito otimista”, afirma Zimmerman.