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Alta dose de antidepressivo aumenta risco de suicídio, diz estudo

Comportamento suicida foi duas vezes maior naqueles que tomaram dose acima das recomendada

Em altas dosagens, antidepressivos podem levar o indivíduo a ter comportamentos suicidas, segundo um estudo realizado pela Faculdade de Saúde Pública de Harvard, nos Estados Unidos, e publicado nesta segunda-feira no periódico Jama Internal Medicine.

CONHEÇA A PESQUISA

Título original: Antidepressant Dose, Age, and the Risk of Deliberate Self-harm

Onde foi divulgada: periódico Jama Internal Medicine.

Quem fez: Matthew Miller, Sonja A. Swanson, Deborah Azrael, Virginia Pate e Til Stürmer.

Instituição: Faculdade de Saúde Pública de Harvard, nos Estados Unidos.

Resultado: Pacientes que receberam altas doses de antidepressivo tiveram duas vezes mais comportamentos suicidas do que aqueles que tomaram a dose usual. Também foi visto que a eficácia do medicamento em indivíduos de até 24 anos é modesta.

A pesquisa contou com a participação de 162 625 pessoas com idades entre 10 e 64 anos e que foram diagnosticadas com depressão. Todas iniciaram, entre 1998 e 2010, o tratamento com uma das classes de antidepressivos mais prescritas por médicos, chamada inibidores seletivos de recaptação de serotonina (ISRSs), em particular fluoxetina, o citalopram e a sertralina. A única diferença foram as doses do medicamento: um grupo utilizou uma dosagem considerada usual e o outro foi medicado com uma dosagem mais alta.

Os pesquisadores constataram que aqueles que começaram a terapia com as doses mais altas tinham duas vezes mais comportamentos suicidas do que o outro grupo. Segundo os dados do estudo, havia um comportamento suicida – que inclui desde pensamentos sobre morte até o suicídio em si – em cada 150 pacientes tratados com altas doses. Apesar dos resultados, a pesquisa não explica por que altas doses podem aumentar a incidência desse comportamento.

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“Também constatamos que a eficácia dos antidepressivos entre os pacientes de até 24 anos foi modesta e vimos que a dosagem não é necessariamente relacionada ao melhor efeito do medicamento. Nossa pesquisa é um incentivo aos médicos a evitarem a alta dosagem para o tratamento sem necessidade e a monitorarem de perto os pacientes que tomam antidepressivos”, explica Matthew Miller, coautor do estudo e professor do Faculdade de Saúde Pública de Harvard.