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Fora da curva

As maiores empresas do Brasil cresceram acima da expansão do PIB, mas seus lucros encolheram. Mesmo num ano complicado, algumas se destacaram

Por Ernesto Yoshida - 17 ago 2018, 07h00

As maiores empresas do Brasil são um termômetro da economia. Em geral, pela posição que ocupam no mercado, são as últimas atingidas por uma crise e as primeiras a sair dela. E, a julgar por seus balanços de 2017, a recuperação do país pode ser mais lenta do que se espera. Em conjunto, as 500 maiores empresas faturaram 840 bilhões de dólares no ano passado, 2,4% mais que em 2016. A taxa foi superior à da expansão do PIB, de apenas 1%, mas insuficiente para compensar a redução de lucros. Ao todo, essas empresas lucraram 32 bilhões de dólares, um recuo de 3,3% — a conta da recessão dos dois anos anteriores demorou, mas também chegou para a elite empresarial. Os dados são de Melhores & Maiores 2018, edição especial da revista Exame cujo lançamento ocorreu no dia 13, em São Paulo, com a premiação das vinte melhores empresas que atuam em comércio, indústria e serviços e uma do agronegócio. “Em um cenário ainda bastante adverso, elas são uma prova do que podem fazer as melhores empresas brasileiras”, diz André Lahóz Mendonça de Barros, diretor de redação de Exame e colunista de VEJA, duas publicações da Editora Abril.

As melhores empresas são definidas pela análise objetiva de indicadores como crescimento, rentabilidade e saúde financeira. Em 2017, elas foram pontos fora da curva em meio ao grosso de empresas que andaram para trás. O exemplo mais notável é a gaúcha Lojas Renner, premiada como a empresa do ano. A maior varejista de modas do Brasil abriu 172 unidades nos últimos três anos — no total, são hoje 531 lojas, com meta de chegar a 875 até 2021. É um movimento na contramão do comércio do país, que perdeu 226 000 estabelecimentos no período. “Uma empresa consegue se sair bem quando tem um diferencial competitivo que o consumidor reconhece”, diz José Galló, presidente da Renner. Presente na premiação, o ministro da Fazenda, Eduardo Guardia, elogiou as empresas e defendeu a continuidade das reformas no próximo governo: “O país precisa decidir que rumo quer seguir. É absolutamente crucial continuar o processo de reformas”. Se isso acontecer, mais empresas terão o que comemorar em 2019.

Publicado em VEJA de 22 de agosto de 2018, edição nº 2596

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