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Sem partido, Witzel anuncia pré-candidatura ao governo do Rio: ‘Não vou desistir’

Ex-governador sofreu impeachment por corrupção em 2021 e ficou inelegível por cinco anos

Por Paula Freitas Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 10 fev 2026, 09h33 • Atualizado em 10 fev 2026, 09h34
  • O ex-governador Wilson Witzel (sem partido) anunciou nesta segunda-feira, 10, a pré-candidatura ao governo do Rio de Janeiro. Eleito em 2018 em meio à ascensão bolsonarista, ele sofreu impeachment por corrupção em 2021, quando já estava afastado da função. No seu lugar, assumiu o então vice, Claudio Castro (hoje no PL), eleito governador no ano seguinte. Espera-se que Witzel anuncie sua filiação até abril. Hoje, o cenário é favorável ao prefeito Eduardo Paes, que já concorreu ao Palácio Guanabara duas vezes.

    “Considero que eu paguei politicamente por tudo o que aconteceu. Politicamente, sem dúvida, houve um preço político muito alto, pago antes do encerramento de todo esse processo”, disse Witzel em vídeo publicado no Instagram.

    “Ainda há questões a serem definitivamente esclarecidas. Eu confio que o tempo e as instâncias competentes cumprirão esse papel, mas também aprendi que, na política, percepções muitas vezes se impõem antes dos fatos, narrativas. Eu acredito na Justiça, acredito no potencial do estado do Rio de Janeiro e acredito nas pessoas. E é por isso que eu não vou desistir”, acrescentou.

    Na época do afastamento, a acusação afirmou que havia uma caixinha da propina paga por Organizações Sociais (OSs), na área da Saúde, que tinha o ex-juiz federal como um dos principais beneficiários. Segundo as investigações, o valor total arrecadado de forma irregular pelo grupo teria sido de R$ 55 milhões. Witzel, que negou qualquer irregularidade, ficou inelegível por cinco anos — período que termina em 2026.

    A Procuradoria-Geral da República (PGR) apontou Witzel como o “líder da organização criminosa” por ter estabelecido um esquema de propina na contratação de hospitais de campanha, respiradores e medicamentos destinados ao combate à pandemia de Covid-19. Em entrevista exclusiva a VEJA naquele ano, ele acusou o então presidente da Assembleia Legislativa do Rio (Alerj), André Ceciliano (PT), de ser o real “chefe da quadrilha”.

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    Leia pronunciamento completo

    Estou me preparando para retomar a minha vida política. Muitas me perguntam por que a população do Rio de Janeiro deveria dar uma nova chance. Eu respondo que vivi na prática os limites e as distorções dos sistemas político e administrativo desse estado. Passei pelo maior processo de linchamento público da história do nosso estado. Fui afastado antes de qualquer condenação definitiva e sem nenhum direito de defesa. Enfrentei um processo duro e, ainda assim, mantive a minha defesa dentro da legalidade, acreditando na Justiça. Eu volto mais experiente, mais cauteloso, com uma compreensão mais profunda do funcionamento real do poder e das entranhas do sistema do Rio de Janeiro.

    Outra pergunta que muita gente me faz é ‘o que mudou do Wilson Witzel de 2019?’. Em 2019, eu cheguei com a energia de quem queria mudar tudo rapidamente. Hoje, trago a serenidade de quem sabe que mudanças duradouras exigem diálogo institucional, planejamento e blindagem técnica das decisões. Menos improviso, mais método; menos discurso, mais governança. E considero que eu paguei politicamente por tudo o que aconteceu.

    Politicamente, sem dúvida, houve um preço político muito alto, pago antes do encerramento de todo esse processo. Ainda há questões a serem definitivamente esclarecidas. Eu confio que o tempo e as instâncias competentes cumprirão esse papel, mas também aprendi que, na política, percepções muitas vezes se impõem antes dos fatos, narrativas. Eu acredito na Justiça, acredito no potencial do estado do Rio de Janeiro e acredito nas pessoas. E é por isso que eu não vou desistir.

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