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Renan diz que não houve ‘dinheiro público’ em pagamento de pensão

Supremo Tribunal Federal decidirá se presidente do Senado se tornará réu por três crimes

Por Da Redação 16 fev 2016, 14h12

O presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), afirmou nesta terça-feira não ter havido “dinheiro público” no pagamento da pensão à filha que teve fora do casamento. O Supremo Tribunal Federal (STF) deve decidir em breve se ele vai virar réu por peculato (desvio de dinheiro público), falsidade ideológica e uso de documento falso no escândalo de 2007, em que é acusado de ter recebido propina da Mendes Junior para pagar despesas pessoais em troca de emendas parlamentares para a empreiteira.

A investigação remete ao ano de 2007, quando Renan teve de renunciar à cadeira de presidente da Casa para salvar seu mandato. Na época, ele enfrentou cinco denúncias no Conselho de Ética do Senado. A mais devastadora foi feita pela jornalista Mônica Veloso, com quem Renan tem uma filha. Ela revelou a VEJA que o lobista Cláudio Gontijo, da empreiteira Mendes Júnior, entregava a ela pacotes de dinheiro vivo em nome de Renan para custear a pensão alimentícia. Em troca, a empreiteira era beneficiada com emendas parlamentares do senador para tocar obras em Alagoas.

Para tentar sustentar que tinha recursos próprios para custear as despesas, Renan afirmou que investia em gado e que teria obtido lucro espantoso com as transações rurais. Um laudo do Instituto de Criminalística da Polícia Federal apontou, entretanto, que os resultados dessas transações eram fictícios. As investigações também concluíram que os documentos apresentados por Renan eram forjados. Em suma, ele não tinha recursos para pagar 16 500 mensais de pensão.

De acordo com a denúncia, Renan também desviou recursos da verba indenizatória do Senado, destinada a arcar com gastos referentes ao mandato, como aluguel de escritório, gasolina e passagens aéreas. Nesse caso, o dinheiro do Senado era destinado a uma locadora de carros, cujo dono é apontado como laranja de Renan. O peemedebista também enfrentou outras acusações na época, como possuir rádios em nome de laranjas, beneficiar a cervejaria Schincariol, cobrar propina em ministérios comandados pelo PMDB e até espionagem contra parlamentares adversários.

Na chegada a seu gabinete, Renan destacou que o caso envolve uma questão pessoal que precisa ser preservada. “Sobre essa matéria é preciso que se diga, primeiro, que quem pediu a investigação junto ao Supremo Tribunal Federal e ao Ministério Público fui eu. Eu, mais do que qualquer um, tenho total interesse que essas coisas se esclareçam. Isso não envolve dinheiro público”, afirmou.

O presidente do Senado informou que, depois, falará sobre o assunto. Reafirmou não haver nenhum fato novo e que a matéria já foi fartamente discutida. “Eu já dei todas as explicações”, disse. Há duas semanas, Renan não respondeu se, caso vire réu no Supremo, vai deixar o cargo de presidente do Senado. Ele é o quarto na linha sucessória da Presidência da República. O peemedebista ainda é investigado em outros seis inquéritos na Corte por suspeita de envolvimento no esquema de corrupção da Petrobras, dentro da Operação Lava Jato.

(Com Estadão Conteúdo)

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