Clique e Assine a partir de R$ 7,90/mês

PSDB: Doria sobe o tom e diz que Leite quer ‘criar uma mancha’ nas prévias

'Eleição não se ganha no grito, se ganha no voto', diz governador paulista em Dubai sobre acusações de que São Paulo teria filiado prefeitos após o prazo

Por Victor Irajá, de Dubai Atualizado em 27 out 2021, 10h16 - Publicado em 27 out 2021, 09h42

A menos de um mês da definição das prévias do PSDB, o governador de São Paulo, João Doria, subiu o tom contra o principal adversário no pleito, o governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite, em coletiva de imprensa em Dubai, nos Emirados Árabes, e o acusou de “ficar reclamando, chorando, acusando”. A frase foi uma referência à denúncia feita à Executiva Nacional por diretórios que apoiam o gaúcho de que 92 prefeitos e vice-prefeitos do PSDB de São Paulo foram filiados ao partido depois da data estipulada, o que o diretório paulista nega. “Eleição não se ganha no grito, se ganha no voto. Por que ter medo do voto?”, ironizou.

Sem citar o nome do adversário, Doria acusou Leite de tentar “criar uma mancha” no processo das prévias do partido. A data limite para o ingresso no partido era 31 de março, mas a representação feita à Executiva diz que algumas filiações foram feitas após essa data. O diretório de São Paulo afirma que há uma confusão na denúncia e que as datas dos eventos públicos nos quais foram anunciados os ingressos dos novos filiados não são as mesmas das filiações, que teriam sido feitas antes.

Doria também minimizou a perda de apoio de alguns prefeitos em São Paulo. “Também tivemos conquistas, mas não ficamos tocando o tambor. Preferimos ganhar no silêncio e fazer a vitória no dia 21 de novembro”, disse. “No Rio Grande do Sul também há, em Minas também há, no Paraná também, locais onde o outro candidato tinha adesões e perdeu. Isso faz parte do jogo, ganhar ou perder. É por isso que disputamos”.

O governador paulista afirmou também que a condução do processo interno da definição do candidato à presidência pelo partido cabe ao presidente nacional do PSDB, Bruno Araújo, que pouco aparece nas agendas públicas da comitiva do governador em Dubai. Em um evento realizado nesta quarta-feira, 27, na Câmara de Comércio de Sharjah, cidade próxima a Dubai, Araújo não estava presente.

Em conversas privadas, aliados de Doria admitem que a acusação de que houve filiação de prefeitos paulistas após a data limite foi um episódio que visou prejudicar a posição de favorito do governador paulista no pleito interno — algo que o governador refuta ser.

Em coletiva em Dubai, Bruno Araújo afirmou que não poderia falar sobre o assunto por estar em posição de julgador. Araújo decidiu que será a Comissão das Prévias a responsável por analisar caso a caso as circunstâncias de adesão dos políticos paulistas cujos nomes foram objetos da representação. A Executiva nacional do PSDB se reunirá na manhã desta quinta, 28, para analisar a decisão do presidente. Composta por sete nomes, entre os quais aliados de Leite e Doria, a comissão não irá questionar a filiação dos mandatários, mas se estão ou não habilitados a votar.

Continua após a publicidade

Publicidade