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PF prende Rodrigo Bacellar, ex-presidente da Alerj

Prisão foi determinada pelo Supremo Tribunal Federal na terceira fase da Operação Unha e Carne

Por Rayssa Motta Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 27 mar 2026, 18h40 • Atualizado em 27 mar 2026, 19h26
  • O ex-deputado Rodrigo Bacellar (União), ex-presidente da Assembleia Legislativa do Rio, foi preso preventivamente nesta sexta-feira, 27, por ordem do Supremo Tribunal Federal (STF). Ele foi detido na mansão onde estava exilado em Teresópolis, na região serrana do Rio, e foi levado para a superintendência da Polícia Federal, de onde será transferido para o sistema penitenciário.

    Em nota, dos advogados Daniel Bialski e Roberto Podval, que defendem o ex-deputado, disseram que ainda não sabem o motivo da prisão, mas classificaram a medida como “indevida e desnecessária” e anunciaram que não recorrer. “Nosso cliente vinha cumprindo fiel e completamente todas as medidas cautelares impostas”, diz a manifestação.

    A prisão é desdobramento da Operação Unha e Carne, que levou a Procuradoria-Geral da República (PGR) a denunciar o ex-deputado por obstrução de uma investigação da PF sobre o Comando Vermelho.

    É a segunda vez que Bacellar é preso neste mesmo inquérito. O ex-deputado passou cinco dias no cárcere em dezembro. Na ocasião, a prisão foi revogada pela Assembleia Legislativa.

    A investigação que ele teria agido para obstruir é a Operação Zargun, conduzida pelo desembargador Macário Júdice Neto, do Tribunal Regional Federal da 2.ª  Região (TRF-2), que está afastado das funções e teria vazado informações confidenciais e privilegiadas ao então deputado. O principal alvo era o ex-deputado TH Joias, que segundo a denúncia da PGR foi alertado previamente pelo então presidente da Assembleia do Rio e destruiu provas. Ele trocou de celular e esvaziou o gabinete na Alerj e a casa onde mora na véspera das buscas da Polícia Federal, em setembro.

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    Mensagens recuperadas na investigação foram usadas pela Procuradoria-Geral da República para corroborar a denúncia. TH Joias enviou a Bacellar imagens da equipe policial dentro de sua casa durante a operação. Ele também avisou ao então presidente da Alerj sobre a troca de celular e compartilhou o contato de sua advogada. Além disso, as conversas demonstram que o ex-deputado e o desembargador tinham uma relação de proximidade.

    A investigação é conduzida pela força-tarefa Missão Redentor II, da PF no Rio, criada a partir de uma determinação do Supremo Tribunal Federal na “ADPF das Favelas” com a missão de mapear a infiltração de facções e milícias no poder público fluminense.

    Bacellar não fez nenhuma aparição pública depois que foi preso pela primeira vez, no final do ano passado. Quando foi solto, em dezembro, ele recebeu autorização do ministro Alexandre de Moraes para frequentar as sessões parlamentares na Assembleia do Rio, mas não quis dar as caras na Alerj e vinha emendando pedidos de licença para evitar o desgaste de retornar enfraquecido – e constrangido por uma tornozeleira eletrônica – ao plenário que um dia comandou. O deputado perdeu o mandato nesta semana. Ele foi cassado na última terça-feira pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) por abuso de poder político e econômico nas eleições de 2022, no mesmo julgamento que deixou o ex-governador Cláudio Castro inelegível.

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