Oferta Relâmpago: VEJA por apenas 9,90

PGR denuncia TH Joias, Bacellar e desembargador por obstrução de investigação sobre o CV

Presidente afastado da Assembleia do Rio, ex-deputado e magistrado são acusados de atrapalhar inquérito da PF que mirou a facção

Por Rayssa Motta Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 16 mar 2026, 15h21 • Atualizado em 17 mar 2026, 17h28
  • A Procuradoria-Geral da República (PGR) denunciou ao Supremo Tribunal Federal (STF) o deputado estadual Rodrigo Bacellar (União), presidente afastado da Assembleia Legislativa do Rio, o ex-deputado estadual Thiego Raimundo dos Santos Silva, conhecido como TH Joias, o desembargador Macário Ramos Júdice Neto, do Tribunal Regional Federal da 2.ª Região (TRF-2), e outras duas pessoas por obstrução de uma investigação da Polícia Federal sobre o Comando Vermelho.

    O procurador-geral da República Paulo Gonet afirma que as provas reunidas no inquérito “não deixam dúvidas” de que houve uma atuação coordenada para atrapalhar as investigações da PF e favorecer o CV. Eles são acusados do crime de obstrução de investigação sobre organização criminosa armada. O desembargador também foi denunciado por violação do sigilo funcional.

    A investigação que o grupo teria agido para abafar é a Operação Zargun, conduzida pelo desembargador Macário Júdice Neto, que está afastado das funções e teria vazado informações confidenciais e privilegiadas a Bacellar. O principal alvo era TH Joias, que segundo a denúncia foi alertado previamente pelo então presidente da Assembleia do Rio e destruiu provas. Ele trocou de celular e esvaziou o gabinete na Alerj e a casa onde mora na véspera das buscas da Polícia Federal, em setembro. Gonet afirma na denúncia que o sucesso da investigação foi “significativamente comprometido” pelas manobras.

    “Logo após tomar conhecimento da data de deflagração da operação policial, Macário prontamente atuou para manter seu amigo Rodrigo Bacellar informado, agendando encontro pessoal e discreto”, diz o procurador-geral na denúncia de 22 páginas. O presidente afastado da Alerj e o magistrado teriam se encontrado em uma churrascaria no Flamengo, na Zona Sul do Rio, sem os celulares pessoais, para evitar serem rastreados. A PGR destaca ainda que o desembargador agiu para “preservar” TH Joias e tentou terceirizar a culpa do vazamento a policiais envolvidos no caso.

    Em nota, a defesa do desembargador afirmou que foi surpreendida pela denúncia, classificada como uma narrativa “fruto de ilações e conjecturas”. “Macário se mantém sereno em razão da plena confiança que nutre pelo Poder Judiciário e da certeza de que provará sua inocência no processo”, diz a manifestação.

    Continua após a publicidade

    Os advogados Daniel Bialski e Roberto Podval, que representam Bacellar, sustentam que não há nada que ligue o deputado aos crimes e que a denúncia está baseada em “ilações e narrativas”. “Foram realizadas medidas cautelares contra os verdadeiros responsáveis pelos vazamentos, o que, uma vez mais, evidencia a plena inocência e afasta o Deputado Rodrigo Bacellar de qualquer conduta ilícita, o que se espera seja brevemente reconhecido e declarado”, diz a nota.

    Mensagens recuperadas na investigação foram usadas pela PGR para corroborar a denúncia. TH Joias enviou a Bacellar imagens da equipe policial dentro de sua casa durante a operação. Ele também avisou o presidente da Alerj sobre a troca de celular e compartilhou o contato de sua advogada. Além disso, as conversas demonstram que o deputado e o desembargador tinham uma relação de proximidade.

    “A materialidade e a autoria dos fatos encontram-se, portanto, devidamente comprovadas pelas diligências realizadas nos autos, especialmente pelos diversos diálogos, depoimentos, documentos e análises policiais, comprobatórios da atuação ilícita dos denunciados, que realizaram ações para obstrução de investigações envolvendo facção criminosa e de ações contra o crime organizado, mediante a obtenção e o compartilhamento de informações confidenciais, que possibilitaram a ocultação do material de interesse da investigação para viabilizar a ineficácia da operação policial”, conclui a Procuradoria.

    Continua após a publicidade

    A denúncia alcança ainda Jéssica de Oliveira Santos, mulher de TH Joias, que teria ajudado a esvaziar o endereço do casal, e Thárcio Nascimento Salgado, que foi assessor do ex-deputado e o escondeu em casa no dia da operação. Thárcio teve o celular apreendido pela PF, mas bloqueou remotamente o aparelho, impedindo o acesso dos investigadores ao conteúdo. Já Flávia Ferraço Lopes Judice, esposa do desembargador, que havia sido indiciada pela Polícia Federal no relatório final da investigação, foi poupada na denúncia da PGR.

    A denúncia é decorrente da Operação Unha e Carne, que levou Bacellar à prisão por cinco dias em dezembro. A prisão foi revogada pela Assembleia Legislativa. Quando foi solto, ele recebeu autorização do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, para frequentar as sessões parlamentares, mas não apareceu na Alerj desde então e vem emendando pedidos de licença.

    Publicidade

    Matéria exclusiva para assinantes. Faça seu login

    Este usuário não possui direito de acesso neste conteúdo. Para mudar de conta, faça seu login

    Domine o fato. Confie na fonte.

    15 marcas que você confia. Uma assinatura que vale por todas.

    OFERTA LIBERE O CONTEÚDO

    Digital Completo

    A notícia em tempo real na palma da sua mão!
    Chega de esperar! Informação quente, direto da fonte, onde você estiver.
    De: R$ 16,90/mês Apenas R$ 1,99/mês
    MELHOR OFERTA

    Revista em Casa + Digital Completo

    Receba 4 revistas de Veja no mês, além de todos os benefícios do plano Digital Completo (cada revista sai por menos de R$ 7,50)
    De: R$ 55,90/mês
    A partir de R$ 29,90/mês

    *Acesso ilimitado ao site e edições digitais de todos os títulos Abril, ao acervo completo de Veja e Quatro Rodas e todas as edições dos últimos 7 anos de Claudia, Superinteressante, VC S/A, Você RH e Veja Saúde, incluindo edições especiais e históricas no app.
    *Pagamento único anual de R$23,88, equivalente a R$1,99/mês. Após esse período a renovação será de 118,80/ano (proporcional a R$ 9,90/mês).