Como foram os três meses do exílio de Bacellar em mansão em Teresópolis
Presidente afastado da Assembleia do Rio está recluso na região serrana desde que alvo da PF por suspeita de vazar operação a ex-deputado ligado ao tráfico
O presidente afastado da Assembleia Legislativa do Rio, Rodrigo Bacellar (União), completa na próxima segunda-feira, 9, três meses recluso em Teresópolis, na região serrana do estado. Desde que foi solto, em dezembro, não quis dar as caras na Alerj e vem emendando pedidos de licença para evitar o desgaste de retornar enfraquecido – e constrangido por uma tornozeleira eletrônica – ao plenário que um dia comandou.
Bacellar foi indiciado na semana passada pela Polícia Federal por organização criminosa e obstrução de Justiça. O relatório afirma que o deputado usou a “capacidade de interlocução e persuasão em todos os poderes do estado” para blindar aliados em troca de apoio político. Entre os beneficiados constam o ex-governador Sérgio Cabral e o ex-deputado TH Joias, pivô da investigação que atingiu Bacellar e suspeito de ligação com o Comando Vermelho.
O relatório da PF pegou a defesa de surpresa. Os advogados de Bacellar esperavam que a Polícia Federal pudesse atribuir a ele alguma responsabilidade pelo vazamento de uma operação a TH Joias, mas não constavam que os investigadores o enquadrariam como líder de uma organização criminosa com tentáculos em todas as esferas de poder fluminenses. O advogado Daniel Bialski, que representa o deputado, afirma que as acusações são “ilações desamparadas” de provas.
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A defesa estava otimista porque o relatório demorou para sair. Antes do indiciamento, a avaliação era de que nenhuma prova contundente havia sido encontrada, caso contrário os investigadores teriam alertado o STF e deflagrado novas operações com base no material. As conclusões contrariaram as expectativas. A Polícia Federal usou o indiciamento, inclusive, para pavimentar o caminho de novas investigações sobre outros deputados.
Bacellar passou cinco dias preso em dezembro. A prisão foi revogada pela Assembleia Legislativa. Quando foi solto, ele recebeu autorização do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), para frequentar as sessões parlamentares, mas preferiu o exílio. O deputado está em uma mansão de três andares em Teresópolis. O parlamentar tem outros imóveis, como um apartamento de 650 metros quadrados, que ocupa o andar inteiro, de frente para o mar em Copacabana, mas escolheu a temporada na serra. A casa tem elevador, quadra poliesportiva, piscina, área gourmet, casa de hóspedes, casa de caseiro e adega.





