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Os elogios de Caiado a Lula e a receita contra a rejeição do agronegócio

Governador goiano diz que é preciso reconhecer o “maior plano agrícola que já tivemos”

Por Lucas Mathias
Atualizado em 29 jun 2023, 17h50 - Publicado em 29 jun 2023, 15h54

O incentivo bilionário ao agronegócio, por meio do Plano Safra, anunciado pelo governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) nesta semana já trouxe efeitos positivos ao petista entre seus opositores. Governador de Goiás e aliado de Jair Bolsonaro (PL) nos últimos anos, Ronaldo Caiado (União) destacou a “sensibilidade” de Lula ao entender a importância da agropecuária para o país, e deu o caminho para diminuir a rejeição do presidente com o setor: “não incentivar invasão (de terras)” e “não acobertar esse tipo de agressão ao setor”.

Na última terça-feira, o governo federal, junto com o Ministério da Agricultura, anunciou recursos da ordem de R$ 364,22 bilhões para a produção agropecuária nacional de médios e grandes produtores rurais até junho de 2024. Haverá ainda um montante de R$ 71,6 bilhões, que serão destinados à Agricultura Familiar, o que totaliza um incentivo de cerca de R$ 435 bilhões ao setor.

Os valores agradaram ao governador goiano. Senador durante o impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff (PT), com voto favorável à queda da petista, e historicamente crítico ao Partido dos Trabalhadores, Caiado apoiou Bolsonaro em 2018, e voltou a declarar voto nele no segundo turno das eleições no ano passado, justamente contra Lula. Mais uma vez, ele fez questão de marcar sua posição ideológica e partidária distinta à de Lula. O governador lembrou que “em campanha eleitoral, ele vai estar num palanque, nós vamos estar em outro”. Mas, na véspera do desfecho do julgamento que deve tornar Bolsonaro inelegível, explicou que o jogo com o petista muda quando se trata de políticas públicas.

“Na administração, gestão de educação, saúde e segurança, políticas sociais, vamos continuar abraçados”, reforçou Caiado.

Para o goiano, o governo federal deve entender o momento de transição política para “baixar a temperatura”. Segundo ele, “mais do que nunca, (o governo Lula) precisa criar um clima de pacificação”. O lançamento do Plano Safra, para Caiado, mostra que “o presidente Lula teve a sensibilidade de entender que é uma coisa só”.

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“Uma coisa é nossa divergência política e doutrinária, todo mundo sabe que ele joga em um campo político, eu em outro. Outra coisa é nosso processo administrativo. Sou governador e sempre tratei meus prefeitos independente de signo partidário. Ele também tem demonstrado isso. Entendeu que é exatamente a agropecuária que dá ao Brasil essa condição confortável hoje de poder ter uma exportação de 159 bilhões de dólares, com superávit na balança de 149 bilhões de dólares. O Brasil só existe hoje, mundialmente, na agropecuária. Não é competitivo em outra área”, disse Caiado.

O investimento do governo federal, com o Plano Safra, faz parte de uma série de acenos que Lula tem feito ao agro, uma forma de reduzir sua rejeição com os empresários agrícolas. O setor foi um dos mais fiéis a Bolsonaro, durante o governo do ex-presidente, e dificultou a vitória do petista nas eleições do ano passado.

Para Caiado, a receita para que Lula consiga reverter essa rejeição está na maneira como o petista vai lidar com as invasões de terras. O assunto é alvo de críticas constantes do agronegócio e tema de uma CPI na Câmara.

“Temos que reconhecer que é o maior plano agrícola que nós já tivemos durante todo esse tempo. Vai garantir que o Brasil continue nessa curva ascendente. Agora, o problema da rejeição tem que ser muito mais levado em conta de um gesto que Lula vai passar a ter. Da postura do governo dele, de não incentivar invasão, de não acobertar esse tipo de agressão ao setor. Isso tudo vai fazendo com que as pessoas enxerguem que ele quer governar”, recomendou o governador.

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Apesar dos afagos ao petista, Caiado também valorizou o poder de Bolsonaro como cabo eleitoral, caso se confirme sua inelegibilidade. Para o governador goiano, “ninguém desconhece o prestígio dele influenciar nas eleições”. 

“Já estou na minha décima eleição, perdi duas e ganhei oito, mas, querendo ou não, a coisa que eu conheço é a política. E ele mostrou capacidade de mobilização. Não acredito que ele vai perder isso”, concluiu. 

 

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