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Moro: ‘Não posso saber se diálogos são autênticos, pois não publicam tudo’

Ministro nega qualquer comportamento impróprio e diz que não se afastará do cargo; para ele, vazamentos são um "crime em andamento" que mira as instituições

Por Da Redação - 14 jun 2019, 01h16

Cinco dias após a reportagem do site The Intercept que expôs mensagens atribuídas a ele próprio e a outros operadores da Lava Jato, o ministro da Justiça e Segurança Pública, Sergio Moro, comentou o caso em entrevista para o site do jornal O Estado de S. Paulo, nesta quinta-feira 13. Moro reforçou que não vê ilegalidade em suas condutas nos trechos divulgados, mas levanta a hipótese de que falas tenham sido editadas.

“Eu fico numa situação delicada porque eu não posso reconhecer a autenticidade dessas mensagens, porque é assim, em vez de eles apresentarem tudo, e que a gente possa verificar a integridade desse material, eles estão com essa ideia de apresentar paulatinamente. E eu não excluo a possibilidade de serem inseridos trechos modificados, porque eles não se dignaram nem sequer a apresentar o material a autoridades independentes para verificação”, declarou.

“Alguns diálogos, algumas mensagens lá me causam bastante estranheza. Não sei, por exemplo, como é que atribuíram aquelas mensagens a Moro, de onde que veio isso, esse Moro, da onde que veio o Deltan. Eu vejo nas mensagens lá que às vezes está Deltan e às vezes está Dallagnol. Então, como é que foi isso? Aquele material não é o material original? Será que não teve outra coisa que foi editada ali dentro?”, questionou em outro momento. 

O ministro acredita que novos trechos ainda devem ser publicados, mas afirmou que se sente “absolutamente tranquilo” quanto a suas comunicações enquanto juiz. Para ele, o caso pode ser classificado como um “crime em andamento” e que não mira apenas a Lava Jato, mas as instituições em geral.

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“Tem muita gente que quer fazer tudo para acabar com a operação [Lava Jato]. E conseguiram [com os vazamentos], aparentemente, gerar um sensacionalismo com base em ataques criminosos de hackers. Mas eu acho que, olhando mais a fundo, os alvos são as instituições”, disse o ministro. 

Na visão de Moro, as evidências de que agiu em conluio com o Ministério Público durante a operação, em contato direto com o procurador Deltan Dallagnol não representam uma violão.

“É uma dinâmica dentro da 13.ª Vara Federal [em Curitiba], o dia inteiro proferindo decisão urgente. E a gente recebia procurador, advogado, a gente falava com advogado, falava com todo mundo. E, eventualmente, utilizava aplicativos de mensagem para tratar isso de maneira dinâmica maior. Mas, quanto à natureza das minhas comunicações, estou absolutamente tranquilo”, disse o ministro, que em supostos diálogos aparentou orientar Dallagnol sobre as investigações. 

Ele nega que tenha dado “dicas” ao procurador, mas não nega ter repassado eventuais informações.

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“Às vezes as pessoas tinham como referência a 13.ª Vara e o juiz, no meu caso, e levavam todo tipo de informação, de demanda. Então, as pessoas ouviam histórias verdadeiras, plausíveis e, às vezes, histórias fantasiosas. E, muitas vezes, em vez de levar ao Ministério Público, levavam a mim. O que a gente fazia? A gente mandava para o Ministério Público. Mandava normalmente pelos meios formais, mas, às vezes, existia uma situação da dinâmica ali do dia, naquela correria, e enviava por mensagem”, alegou Moro, que ponderou: “Sei que tem outros países que têm práticas mais restritas, mas a tradição jurídica brasileira não impede o contato pessoal e essas conversas entre juízes, advogados, delegados e procuradores”.

Após o posicionamento de algumas entidades que sugeriram seu afastamento, como a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), Moro afastou a possibilidade.

“Não [pretendo me afastar], eu me afastaria se houvesse uma situação que levasse à conclusão de que tenha havido um comportamento impróprio da minha parte. Acho que é o contrário. Agora estou em uma outra situação, estou como ministro da Justiça, não mais como juiz, mas tudo o que eu fiz naquele período foi resultado de um trabalho difícil. E nós sempre agimos ali estritamente conforme a lei. Qualquer situação, despido o sensacionalismo, está dentro da legalidade. Conversar com procuradores, conversar com advogados, isso é absolutamente normal”, avaliou.

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