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Mauro Cid delata gabinete do ódio e milícias digitais

Investigação sobre milícias digitais já havia identificado pagamentos de despesas correntes da ex-primeira-dama, depósitos fracionados e saques em dinheiro

Por Laryssa Borges Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO , Hugo Marques Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO
5 nov 2023, 10h49

Então braço direito de Jair Bolsonaro, o tenente-coronel Mauro Cid reservou um capítulo específico de seu acordo de delação premiada para esmiuçar o funcionamento do chamado “gabinete do ódio”, grupo de assessores do ex-presidente cujo objetivo era proferir ataques contra autoridades, difundir desinformação e, ao fim, auferir ganhos políticos ou ideológicos.

Aos investigadores da Polícia Federal, instituição que fechou o acordo de colaboração do ex-ajudante de ordens, Cid também descreveu a atuação das milícias digitais, um conjunto de apoiadores bolsonaristas e robôs que usam as redes sociais para, entre outras coisas, atacar ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) e adversários políticos.

Nos últimos dias, a delação premiada de Mauro Cid chegou às mãos do subprocurador-geral da República Carlos Frederico Santos, responsável pelos inquéritos que buscam investigar a participação de incitadores, financiadores e executores dos atos de vandalismo que culminaram na destruição das sedes dos três poderes em Brasília no dia 8 de janeiro. Cabe a ele analisar como as revelações do ex-auxiliar de Bolsonaro podem ajudar a desvendar a trama golpista que tomou conta do país no governo anterior.

O caso das milícias digitais é particularmente relevante para Cid porque foi a partir desta investigação, centralizada no STF pelo ministro Alexandre de Moraes, que ele teve seu sigilo telemático quebrado no ano passado. Com o levantamento do sigilo foram encontrados, por exemplo, a atuação do ex-ajudante de ordens em pagamentos de despesas correntes da então primeira-dama Michelle Bolsonaro. Também foi a partir das informações colhidas ainda em 2022 do Google Drive e do Icloud do ex-assessor que Moraes deu ordens para a prisão do militar em maio passado.

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“Tem anexo sobre golpe, tem anexo sobre joias, tem anexo sobre vacina, tem anexo sobre gabinete do ódio, milícias digitais”, disse o subprocurador-geral Carlos Frederico Santos a VEJA. Ele se recusou a fornecer detalhes adicionais para não atrapalhar as investigações.

A Polícia Federal já havia encaminhado ao STF um relatório preliminar sobre a atuação das milícias digitais bolsonaristas e uma espécie de passo-a-passo para os ataques, que consistiam na eleição de uma pessoa-alvo, a elaboração do conteúdo ofensivo ou inverídico, a separação de tarefas para espraiar sistematicamente a informação, o uso de múltiplas plataformas para reproduzir o material e até o recolhimento de lucros com as mentiras.

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