Mais apoio, menos poder: Lula se equilibra sob pressão do Centrão
Partidos têm demonstrado interesse em mais ministérios, mas presidente preferiu marcar posição nos últimos dias
Sob pressão dos partidos do Centrão, que querem aumentar seus integrantes na Esplanada dos Ministérios, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) tem buscado um equilíbrio entre acatar pedidos e marcar sua posição. No mais recente aceno a caciques do Congresso, o governo Lula confirmou, na última quinta-feira, 13, a troca no Turismo, com a saída de Daniela Carneiro e a chegada de Celso Sabino (União), nome sugerido por seu partido e que agrada o presidente da Câmara, Arthur Lira. Os pleitos, no entanto, continuam, e o presidente terá que fazer cálculos para não perder poder, e ao mesmo tempo manter base forte no Legislativo.
O pedido do União Brasil pela saída de Daniela Carneiro do Turismo começou a tomar forma depois que o grupo político de seu marido, o prefeito de Belford Roxo (RJ) Waguinho, migrou para o Republicanos. Daniela, que voltará à Câmara e tem convite para ocupar a vice-liderança do governo, também já pediu ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sua desfiliação do União, o que aumentou ainda mais a pressão pela troca. Agora, com a demanda atendida, o Centrão mira ao menos outras quatro pastas, e já sinalizou o desejo de assumir a Saúde, o Desenvolvimento Social e o Esporte, por exemplo.
Nos últimos dias, no entanto, Lula sinalizou que não deve ceder de maneira simples. Ao sancionar a lei do programa Mais Médicos, marca da gestão petista e esvaziado no governo passado, o presidente foi claro, e citou a ministra da Saúde, Nísia Trindade, presente na cerimônia, no Palácio do Planalto, ao reiterar o que informou ter dito à ministra: ‘Tem ministros que não são trocáveis. Tem pessoas e tem funções que são uma coisa da escolha pessoal do presidente. Eu disse, publicamente, ela é ministra do Brasil, ela é minha ministra. E, portanto, ela tem uma função a cumprir, sabe que a única perspectiva de sair é se não cumprir a função correta dela. Isso vale para mim, para todo mundo”.
Já na última quinta, em entrevista à TV Record, Lula também reforçou a importância do Ministério do Desenvolvimento Social, responsável por administrar o Bolsa Família, para o governo. “Esse ministério é um ministério meu. Esse ministério não sai, a Saúde não sai. Não é o partido que vem para o governo que pede ministério. É o governo que oferece o ministério”, disse o presidente.
Apesar da demonstração de força, o governo tem buscado consolidar uma base ampla no Congresso, capaz de aprovar projetos caros à agenda de Lula. Até aqui, foram ao menos quatro derrotas em votações do marco do saneamento, com veto em trechos estabelecidos pelo governo, além da aprovação da MP sobre a regularização ambiental editada pelo governo Bolsonaro, o avanço do marco temporal das terras indígenas e o esvaziamento dos ministérios do Meio Ambiente e dos Povos Indígenas, no fim de maio.
Houve, contudo, vitórias recentes importantes, como as aprovações na Câmara da Reforma Tributária, do projeto que restabelece o voto de desempate do governo nas decisões do Carf, assim como da MP dos Ministérios, por exemplo — todas com apoio de partidos do Centrão. Na fila de espera para a Esplanada, os mais cotados, neste momento, são PP e Republicanos, ainda sem lugar nas pastas do governo Lula. As concessões ampliariam ainda mais a folga do governo no Congresso.







