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Lula provoca Temer em ato de movimentos de esquerda: ‘Dispute eleições’

Presidente não compareceu ao local porque está negociando votos para tentar barrar o impeachment na Câmara

Por Da Redação - 16 Apr 2016, 12h05

Um dia após desistir de falar em cadeia nacional de rádio e TV, a presidente Dilma Rousseff escalou o ex-presidente Lula para sair em sua defesa em ato de movimentos de esquerda neste sábado, em Brasília. A cerca de 1.500 simpatizantes do PT, nos arredores do ginásio Nilson Nelson, Lula fez um discurso de menos de 10 minutos, no qual voltou a se agarrar à tese de golpe para atacar o processo de impeachment contra a presidente, que será votado no plenário da Câmara no domingo.

Em uma provocação ao vice-presidente Michel Temer, Lula disse que para chegar à Presidência ele perdeu três eleições. “Agora, se o Temer quer ser presidente, que não tente através de um golpe. O PMDB é um partido grande. Ele pode se candidatar em 2018, e, então, vamos para as urnas, debater, convencer o povo quem é melhor para o país”, disse a uma calorosa plateia de militantes no ato intitulado “Movimentos Populares pela Democracia e Contra o Golpe”.

Segundo a assessoria de imprensa da Presidência, Dilma não compareceu ao evento para participar de reuniões com líderes parlamentares. Uma carta da presidente foi lida antes da fala de Lula, em que ela agradece a presença de todos e justifica sua ausência devido aos esforços que tem de fazer para tentar reverter o impeachment.

Em sua fala, Lula ainda fez referência ao golpe de 1964 e ao governo de Getúlio Vargas para defender que o período atual é o mais longo de democracia no Brasil. “Por isso, precisamos conversar com deputados para convencê-los de que não podemos habituar esse país a viver de golpe em golpe”, disse.

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Sobre a votação do impeachment deste domingo, o ex-presidente disse que refutou as críticas de que quem defende o governo só quer tumultuar. “Baderneiros são as pessoas que querem derrubar a presidente através de um golpe”, disparou. Em seguida, Lula disse que iria embora, pois ainda precisava conversar com parlamentares para tentar reverter o impedimento da presidente.

Os manifestantes respondiam às frases de efeito do ex-presidente aos gritos de “não vai ter golpe, vai ter luta”. Antes da fala de Lula, jovens com boné do MST e da CUT conduziam uma batucada com hinos contra o presidente da Câmara, Eduardo Cunha, o juiz Sérgio Moro, a oposição e os inimigos de sempre: a imprensa livre.

Entre os políticos presentes estavam o presidente do PT, Rui Falcão, a senadora Gleisi Hoffmann, o ministro do Desenvolvimento Agrário, Patrus Ananias (PMDB), a deputada Jandira Feghali (PCdoB-RJ), entre outros. Também participaram do ato Guilherme Boulos, membro da coordenação nacional do MTST e a presidente da UNE, Carina Vitral.

Vídeo – O tom enfático de Lula veio linha com a fala da presidente, veiculada em vídeo pelo PT nas redes sociais, na noite desta sexta-feira. Durante pouco mais de seis minutos, a presidente classificou a denúncia contra ela como “fraude”, “farsa” e “aventura golpista”.

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“Peço a todos os brasileiros que não se deixem enganar. Vejam quem está liderando o processo e o que propõem para o futuro do Brasil. Os golpistas já disseram que, se conseguirem usurpar o poder, será necessário impor sacrifícios à população brasileira. Com que legitimidade?”, questionou, no vídeo.

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