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José Dirceu: propina além-mar

Investigado em Portugal, o ex-ministro José Dirceu recebeu quase 1 milhão de euros de três empresas de telefonia para viabilizar negócio no governo petista

Por Rodrigo Rangel - 13 out 2017, 16h57

O inferno de José Dirceu, tal como os pecados, parece não ter fim. Condenado no escândalo do mensalão a sete anos de cadeia, o ex-todo-poderoso ministro de Luiz Inácio Lula da Silva acabou pilhado também no petrolão, como destinatário de propinas pagas por empresas que o contratavam como “consultor” para ampliar seus negócios na Petrobras e em outras áreas do governo.

Houve, como se sabe, uma confluência de escândalos: parte da propina do petrolão foi paga enquanto Dirceu cumpria pena no mensalão. Em casa, usando tornozeleira eletrônica e recorrendo de mais duas condenações que passam dos trinta anos, o ex-minis­tro continua a ter negócios descobertos — agora, além-­mar. O achado mais recente vem da Operação Marquês, a Lava Jato de Portugal. Lá, Dirceu apareceu como beneficiário de pagamentos em troca de usar seu poder para destravar um dos negócios mais rumorosos da era petista: a entrada da Portugal Telecom na sociedade da brasileira Oi.

Escarafunchando arquivos apreendidos em um escritório de advocacia de Lisboa com o qual Dirceu mantinha parceria, os agentes descobriram que o petista usou a banca para esconder pagamentos que somam pelo menos 944 000 euros — cerca de 3 milhões de reais — e que, segundo o Ministério Público português, estavam ligados à transação bilionária da Portugal Telecom com a Oi.

Documento da Operação Marquês, a Lava Jato portuguesa, faz referência ao ex-ministro José Dirceu

Documento da Operação Marquês, a Lava Jato portuguesa, faz referência ao ex-ministro José Dirceu //Reprodução

 

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