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Famílias de Marielle e Anderson se reúnem com novo procurador do MP do Rio

Além de Luciano Mattos, o novo chefe do Gaeco Bruno Gangoni também esteve presente na reunião; crime vai completar três anos sem apontar os mandantes

Por Marina Lang 1 fev 2021, 19h05

As famílias da vereadora Marielle Franco (PSOL) e do motorista Anderson Gomes, assassinados a tiros em uma emboscada no Estácio, região central do Rio de Janeiro, em 14 de março de 2018, se reuniram com o novo procurador-geral de Justiça do Ministério Público do Rio de Janeiro (MP-RJ), Luciano Mattos, na tarde desta segunda-feira, 1°.

Também esteve presente no encontro o promotor Bruno Gangoni, novo chefe do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) do MP do Rio. Trata-se da primeira aproximação entre a nova gestão da promotoria estadual e as famílias de Marielle e Anderson. 

Mattos e Gangoni ainda não definiram qual promotor criminal irá conduzir o inquérito do duplo homicídio da vereadora e de seu motorista. As investigações do Gaeco foram capitaneadas pelas promotoras Simone Sibilio, que chefiou o núcleo no último ano, e Leticia Emile, desde setembro de 2018. Ambos foram exoneradas pelo ex-procurador geral Eduardo Gussem no último dia de sua gestão no final de dezembro – um gesto natural, segundo o MP do Rio, para que o novo procurador-geral formulasse suas próprias equipes. 

VEJA apurou que há certa dificuldade na escolha do promotor criminal que irá coordenar o inquérito porque alguns deles estão de férias, mas, na reunião de hoje, eles disseram que isso deve ocorrer até o final desta semana ou, no máximo, até o final de fevereiro. 

No mês que vem o crime político vai completar três anos sem apontar os mandantes das mortes de Marielle e Anderson ou o motivo pelo qual ambos foram brutalmente assassinados. Estão presos os réus Ronnie Lessa e Élcio de Queiroz, PM reformado e ex-PM apontados pelo MP do Rio como sendo o atirador e o motorista do Chevrolet Cobalt prata clonado usado na emboscada contra a vereadora e o seu motorista. 

Conforme VEJA revelou em dezembro do ano passado, a principal tese que vigora nas investigações é de uma possível vingança contra o partido de Marielle. 

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Além disso, VEJA mostrou ainda que dois milicianos do Escritório do Crime se filiaram ao PSOL em novembro de 2016 – a suspeita da Polícia Civil do Rio de Janeiro é de que eles ingressaram na legenda para se infiltrar com fins de monitoramento das agendas, congressos e eventos promovidos pela sigla. Um deles era tido como homem de confiança dos chefes da organização criminosa – entre eles, o chefão e ex-capitão da PM Adriano Magalhães da Nóbrega, morto na Bahia em fevereiro de 2020 em circunstâncias ainda não esclarecidas pelas autoridades. 

Rachadinhas de Flávio Bolsonaro 

Adriano também é pivô na denúncia que apurou o esquema das rachadinhas de Flávio Bolsonaro (Republicanos) quando este ainda era deputado estadual na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro. A mãe dele, Raimunda Veras Magalhães, e sua ex-mulher, Danielle Mendonça da Costa, são apontadas como membros do núcleo executivo dos desvios.

Elas foram empregadas no gabinete de Flávio por alguns anos e repassavam parte dos salários ao PM reformado Fabrício Queiroz, apontado como operador do esquema e preso em regime domiciliar sob monitoramento de uma tornozeleira eletrônica. 

Leia a denúncia completa contra Flávio Bolsonaro

Todos eles foram denunciados pelo MP do Rio por peculato, lavagem de dinheiro e organização criminosa. A denúncia, no entanto, está paralisada porque o ministro Gilmar Mendes concedeu liminar à defesa de Flávio e aguarda decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) sobre se ela será julgada no Órgão Especial, colegiado do Tribunal de Justiça do Rio composto por 25 desembargadores, ou se ela retorna ao juiz natural do caso, Flávio Itabaiana, titular da  27ª Vara Criminal do TJ do Rio.

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