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Coaf detecta movimentação suspeita envolvendo Vaccari

Análise feita a pedido da PF aponta transação de R$ 18 milhões da Bancoop em 2009 – e que pode caracterizar lavagem de dinheiro, segundo o órgão

Por Daniel Haidar, de Curitiba - 15 jan 2015, 09h54

Órgão do governo federal encarregado de monitorar transações financeiras suspeitas de constituir lavagem de dinheiro, o Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) detectou movimentação suspeita de 18 milhões de reais entre a Bancoop, a corretora Planner e o Sindicato dos Bancários de São Paulo na época em que a cooperativa de crédito habitacional era presidida pelo tesoureiro do PT, João Vaccari Neto. O alerta indica que a movimentação pode ter se tratado de lavagem de dinheiro.

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Apontado por delatores como operador do PT no petrolão, Vaccari é um dos alvos da Operação Lava Jato, que desmontou o esquema de corrupção na Petrobras. O relatório sobre o petista foi feito a pedido da Polícia Federal e consta nos autos dos pedidos de busca e apreensão da Lava Jato nas propriedades de Nestor Cerveró, ex-diretor Internacional da Petrobras preso nesta quarta-feira – por questões burocráticas, a PF juntou informações sobre Vaccari com dados de Cerveró.

A Bancoop quebrou em 2006, quando era presidida pelo petista. Deixou 32 obras inacabadas, prejudicando mais de 3.500 famílias. A quebra da cooperativa se deu, segundo o Ministério Público, com um rombo de pelo menos 100 milhões de reais porque seus dirigentes desviaram dinheiro pago pelos mutuários para “fins escusos”. Segundo o promotor José Carlos Blat, parte do dinheiro foi para financiar campanhas eleitorais do PT. Vaccari é um dos cinco réus que respondem na Justiça por estelionato, formação de quadrilha, lavagem de dinheiro e falsidade ideológica.

O relatório do Coaf destaca que a Bancoop recebeu 18.158.628,65 reais do Sindicato dos Bancários de São Paulo em 23 de novembro de 2009. No mesmo dia, a cooperativa transferiu quase integralmente a quantia (18.151.892,51 reais) para a corretora Planner. Mas o órgão de inteligência financeira assinalou que as “contas não demonstram ser resultado de atividades ou negócios normais, visto que utilizadas para recebimento ou pagamento de quantias significativas sem indicação clara de finalidade ou relação com o titular da conta”.

A cunhada de Vaccari, Marice Correa de Lima, também é investigada na Operação Lava Jato como uma das beneficiárias de pagamentos de propina distribuídos pela quadrilha do doleiro Alberto Youssef.

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