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‘Carlos Bolsonaro tentou montar uma Abin paralela’, diz Joice Hasselmann

O objetivo do Zero Dois era monitorar inimigos, mas a tentativa provocou reação de ministros que discordaram da proposta

Por Roberta Paduan - Atualizado em 4 dez 2019, 18h33 - Publicado em 4 dez 2019, 16h10

A deputada federal Joice Hasselmann (PSL-SP) afirmou, em seu depoimento na CPI das Fake News, que o vereador Carlos Bolsonaro (PSC-RJ) tentou montar uma “‘Abin’ paralela” no governo. Joice referia-se à Agência Brasileira de Inteligência, órgão de Estado que tem a função de monitorar e investigar possíveis ameaças à segurança nacional.

Um servidor do Palácio do Planalto confirmou a Veja que o plano de Carlos Bolsonaro chegou a circular pelos gabinetes dos principais auxiliares do presidente. “A ideia dele era basicamente grampear telefones, monitorar inimigos, fazer dossiês. A interceptação telefônica é a forma mais burra de inteligência, aliás, nem ele nem o Carlos, nem o presidente conhecem nada de inteligência”, afirmou o servidor, que é militar. “Pessoas imaturas costumam querer saber o que o inimigo está falando, o que está planejando. E, quando essas pessoas têm poder, ou pensem que têm, vão atrás desses meios que a democracia não tolera”, completou.

De acordo com a deputada, a informação lhe passada, sem pedido de sigilo, pelo ex-ministro Gustavo Bebianno, que comandou a Secretaria-Geral do governo até fevereiro e foi figura-chave na campanha presidencial de Jair Bolsonaro.

Segundo Joice, a tentativa de Carlos montar uma espécie de serviço secreto paralelo provocou uma crise entre o filho Zero Dois do presidente da República e membros do Palácio do Planalto, que discordaram da proposta, entre eles, Bebianno, atualmente filiado ao PSDB.

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No início de seu depoimento, a deputada afirmou que existe um esquema de “organização criminosa” organizado na internet a favor do presidente Jair Bolsonaro desde o início da sua campanha. “Há, infelizmente, dinheiro público por trás dos ataques virtuais [da direita]”, afirmou a parlamentar durante a Comissão Parlamentar Mista de Inquérito das fake news, nesta quarta-feira, 4.

Joice foi líder do governo no Congresso até o dia 17 do mês passado, quando virou alvo de ataques bolsonaristas pelas redes sociais. A deputa diz que ela não quer “arranhar a imagem” da presidência com as revelações. “Eu ajudei a eleger esse presidente. Quero crer que ele não sabe disso”, ressaltou. Joice era do mesmo partido de Bolsonaro.

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